segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

O PROBLEMA DO CONHECIMENTO SUPERFICIAL

Boas intenções não bastam!
Deixe-me começar contando uma anedota interessante: Um jovem residente nos Estados Unidos alistou-se e entrou para o exército americano durante a Segunda Guerra. Sendo imigrante, tinha dificuldades com a língua inglesa. Na verdade, tinha um conhecimento superficial do idioma. Um dia, quando as tropas se preparavam para ser inspecionadas, seus colegas chegaram à conclusão de que, se não o ajudassem, ele não seria aprovado, em função do seu sofrível inglês.
Com muito tato, um deles lhe falou: Companheiro, dentro de poucos dias o general estará aqui para a inspeção. Percebemos que você tem dificuldades com a língua inglesa, por isso gostaríamos de ajudá-lo, senão você será reprovado. É importante que você saiba as perguntas que o general fará, para responder corretamente. A primeira pergunta será: Há quanto tempo você está no exército? Você responderá: Dois anos, senhor! A segunda pergunta certamente será: Quanto anos você tem? E você dirá: Vinte e dois! Quase sempre a terceira pergunta é: Você tem recebido boa comida e bom tratamento? Você responderá rapidamente: As duas coisas!
O soldado passou dias e dias repetindo as respostas. Dois anos, vinte e dois, as duas coisas... Dois anos, vinte e dois, as duas coisas... Finalmente chegou o general e, de fato, fez três perguntas. O problema é que ele não as fez na ordem que o soldado estava esperando. O general começou: Quantos anos você tem? O soldado era um monumento de convicção: Dois anos, senhor! O general olhou desconfiado, mas prosseguiu: Há quanto tempo você está no exército? O moço não vacilou: Vinte e dois! Irritado, o general o encarou: Quem você pensa que eu sou? Um idiota ou um bobalhão? E o jovem: As duas coisas, senhor!
Apesar de cômica, esta estória traz consigo uma verdade: muitas vezes, apesar de nossas boas intenções e do desejo de fazer as coisas certas, não atingimos nossos objetivos devido a um único problema: nosso conhecimento superficial e insuficiente a respeito de algum assunto ou situação. O escritor Richard Foster chamou a superficialidade de “maldição dos nossos dias”. Quantos são os que não concluem bons negócios por lhes faltar conhecimento adequado sobre as oscilações do mercado financeiro? Quantos são os que perdem a oportunidade de arranjar bons empregos por lhes faltar a devida qualificação, ou seja, conhecimento profundo sobre uma determinada técnica? Quantos perdem para a concorrência apenas por oferecer serviços ou produtos ultrapassados?

A procura pelo aperfeiçoamento.
Hoje em dia, mais do que nunca, tanto empresários quanto funcionários estão preocupados em preparar-se adequadamente para o exercício de algum ramo ou profissão. Pessoas que atuam nas mais variadas áreas buscam ascendência e sabem que, para isso, devem estar bem preparadas. Conhecimento profundo e específico pode ser o caminho para o sucesso e a prosperidade tanto na formação acadêmica quanto no desempenho profissional. Assim, cada vez mais aumenta a procura por cursos, palestras, seminários e estágios visando aperfeiçoamento, o que faz aguda diferença na disputa por uma vaga ou na concorrência por um cargo, por exemplo.
Pena que nem sempre pessoas preocupam-se em obter maior conhecimento sobre Deus do que sobre estratégias de marketing ou gestão de recursos humanos. Na sociedade secularizada e materialista em que vivemos, o aspecto espiritual da vida é, geralmente, desprezado ou mal explorado. Poderia o conhecimento das coisas espirituais contribuir para nossa atividade profissional? Será que a aplicação de princípios da Palavra de Deus em nossos estudos e trabalhos nos garantiria melhores resultados? Ou ainda: Será que o conhecimento mais profundo acerca de Deus e o conseqüente aperfeiçoamento de nossa espiritualidade nos levariam a uma vida melhor?
Arrisco-me a formular estas perguntas porque está bem claro para mim que o sucesso na vida profissional não é suficiente para satisfazer a necessidade humana de realização. Parece que o conhecido adágio está correto: “Nenhum sucesso na vida compensa o fracasso no lar”. Então eu lhe pergunto: vale a pena esforçar-se tanto para atingir metas, arquitetar estratégias e concretizar projetos no trabalho ou na escola, enquanto sua vida espiritual descamba numa espiral vertiginosamente descendente?
Ouso ainda afirmar que, ao contrário do que se pensa mundo afora, não basta apenas priorizar a família. Se nosso conhecimento de Deus for aperfeiçoado, nosso caráter e personalidade serão transformados e nossos relacionamentos serão melhorados, em todas as esferas: profissional, acadêmica e familiar! Pessoas correm para as igrejas hoje em dia procurando melhorar sua qualidade de vida, mas isso não significa que conhecerão a Deus. Que pena! Deveriam conhecer a Deus antes de tudo, e então se flagrariam, agradavelmente satisfeitas, percebendo, de repente, que a vida melhorou!

Para que conhecer Deus profundamente?
Quanto ao conhecimento espiritual, o teólogo J. I. Packer comenta: “Conhecer a Deus é crucialmente importante para nossa vida. Do mesmo modo como seria cruel levar um indígena da Amazônia de avião até São Paulo e deixá-lo, sem qualquer explicação, sem que entendesse nada da língua portuguesa ou da vida civilizada, em plena Praça da Sé, para que ele cuidasse da própria subsistência; assim também seríamos cruéis conosco mesmos se tentássemos viver neste mundo sem saber nada a respeito do Deus que é dono e Senhor do Universo”. Packer insiste, afirmando que o mundo se torna um lugar estranho, louco, penoso e decepcionante para aqueles que não conhecem a Deus.
Clemente de Alexandria, que viveu no terceiro século d.C., distinguiu-se dos sábios de sua época ao perguntar: “Busco conhecer a Deus, e não só as obras de Deus. Quem me ajudará em minha busca?”. Já o professor Charles Swindoll declara: “Conhecer a Deus de forma profunda e com intimidade requer esta disciplina: Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus”. Você deseja aceitar este desafio de conhecer a Deus com mais profundidade e experimentar transformações maravilhosas em todas as áreas de sua vida?
Principalmente você, que tem se sentido solitário, vazio, superficial e escravizado por este sistema desumano em que vivemos, faça o seguinte: Busque a Deus! A Bíblia diz: “Perto está o Senhor de todos os que o invocam, de todos os que o invocam em verdade” (Salmo 145:18). E mais: “Buscai o Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto” (Isaías 55:6). Por meio do profeta Deus fala: “Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem o forte, na sua força, nem o rico, nas suas riquezas; mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu sou o Senhor e faço misericórdia, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado” (Jeremias 9:23s). E o apóstolo Paulo declara: “Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (Romanos 10:13).
Simplesmente, em seu coração, peça a Deus que entre em sua vida e transforme, daquela maneira que só ele pode, a sua existência. Será agradável perceber que a profundidade do conhecimento de Deus vai tornar você insatisfeito com as coisas superficiais. E, certamente, toda sua vida irá mudar! Leia a Bíblia, visite uma igreja evangélica, converse com um pastor e... que Deus te abençoe!

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

O CAMINHO PARA A PROSPERIDADE E A VIDA ESPIRITUAL


O apelo ao oculto.
Não são poucos, em nosso país, os artistas, atletas, governantes e empresários que já praticaram ou praticam algum tipo de ocultismo, seja espiritismo, satanismo ou macumbaria. No caso dos artistas, muitos o fazem por frivolidade ou modismo, tentando com isso, talvez, atrair a atenção do público sobre si. Sabe-se, por exemplo, que certos cantores de axé e congêneres são filhos, pais ou mães-de-santo; há roqueiros famosos que são freqüentadores de cultos esotéricos e atores de televisão adeptos de seitas excêntricas.
Também os políticos, desejosos de alcançar vitórias nas eleições, apelam para esse recurso. Em seu livro “Deuses da Umbanda”, Neuza Itioka, que há mais de quinze anos atua no ministério de libertação e cura interior, conta que o Brasil já teve um presidente que dirigia um terreiro. Hoje, o governo tem ministros médiuns e senadores devotos de entidades. Além disso, no campo esportivo, muitos atletas fazem despachos para ganharem campeonatos e competições, conseguirem melhores classificações e até superarem recordes.
Infelizmente, a situação não é diferente no meio empresarial. Na tentativa de obterem maiores lucros, sucesso nos negócios e prosperidade material, homens e mulheres de todos os ramos pagam verdadeiras bagatelas pelos trabalhos. Iludidos, cumprem todas as exigências dos orixás, na vã esperança de que estes vão realizar suas aspirações de ascensão econômica e social.
De fato, a vida econômica da nação não vai nada bem desde há muito tempo; este é um fator que deve ser levado em consideração, pois trata da sobrevivência de todos os brasileiros. A preocupação com o sustento da família certamente é um dos motivos que leva os homens e as mulheres de negócios a buscarem solução para problemas financeiros no sobrenatural. Entretanto, se uma pessoa soubesse os riscos iminentes para sua vida espiritual, ela jamais lançaria mão de artifícios tão escusos!

Os riscos iminentes!
Geralmente os empresários se voltam para o oculto, para o espiritismo e a macumbaria na tentativa de melhorar seus ganhos ou para se recuperar de alguma derrocada nas finanças. Ignoram que são vítimas de gente que, conforme escreveu o apóstolo Paulo, “com astúcia enganam fraudulosamente” (Efésios 4:14b) e dão ouvidos “a espíritos enganadores, e a ensinos de demônios” (1 Timóteo 4:2). Por isso, ele disse: “Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição” (1 Timóteo 6:9). Na verdade, tudo não passa de uma grande armadilha!
Riqueza adquirida à custa de feitiçaria só pode trazer mais problemas a quem o fizer, e entre eles estão a opressão e a possessão demoníacas. Entende-se por opressão toda forma de abatimento de forças, prostração, vexame e humilhação que os demônios impõem sobre as pessoas que os invocam nos terreiros, centros, encruzilhadas ou cachoeiras! São conhecidos muitos casos de gente que experimentou tais sintomas após realizar ritos de ocultismo.
Possessão, conforme descrição dada pelo Rev. Caio Fábio em seu livro “Principados e Potestades”, é “um fenômeno que se verifica universalmente, apesar de que certos povos, pela sua cultura mais voltada para as manifestações espirituais, sofram maior incidência de casos visíveis”. A possessão pode acontecer de forma deliberada quando médiuns ou pajés invocam os demônios, e também subitamente, sobre aqueles que assistem ou praticam a macumbaria e ritos afins.
Podem ser apontados como características de opressão ou possessão os seguintes sintomas: mania de perseguição, desejo sexual desenfreado, medo irracional, ódio por familiares, cefaléias - principalmente durante a exposição da Palavra de Deus e, por fim, falta de ânimo para viver.

Advertências bíblicas!
A Bíblia Sagrada é rica em admoestações sobre o envolvimento com práticas espiritualistas. Conforme a Lei de Deus, essas práticas são consideradas por Ele como contaminação: “Não comereis coisa alguma com sangue; não agourareis, nem adivinhareis. Não vos voltareis para os necromantes, nem para os adivinhos; não os procureis para não serdes contaminados por eles” (Levítico 19:26, 31).
Deus também as considera abominação: “Não se achará entre ti nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro; nem encantador, nem necromante, nem mágico, nem quem consulte os mortos; pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao Senhor” (Dt 18:10-12).
O próprio Deus faz uma pergunta irônica sobre a consulta dos mortos: “Quando vos disserem: Consultai os necromantes e os adivinhos, que chilreiam e murmuram, acaso, não consultará o povo ao seu Deus? A favor dos vivos se consultará os mortos?” (Isaías 8:19). Aquilo que os supostos espíritos revelam é ainda considerado consolação vazia: “Porque os ídolos do lar falam coisas vãs, e os adivinhos vêem mentiras, contam sonhos enganadores, e oferecem consolações vazias” (Zacarias 10:2).
Lucas, o evangelista, refere-se à magia como ilusória: “Ora, havia certo homem, chamado Simão, que ali praticava a mágica, iludindo o povo de Samaria, insinuando ser ele grande vulto” (Atos 8:9). E ele também a considera lucrativa: “Aconteceu que, indo nós para o lugar de oração, nos saiu ao encontro uma jovem possessa de espírito adivinhador, a qual adivinhando, dava grande lucro aos seus senhores” (Atos 16:16).
No último livro da Bíblia está escrito: “Fora [do Reino de Deus] ficam os cães, os feiticeiros, os impuros, os assassinos, os idólatras, e todo aquele que ama e pratica a mentira” (Apocalipse 22:15). Diante de tantas evidências, percebe-se que Deus não se agrada de tais práticas e as proíbe, por saber que nenhum benefício real elas trazem ao ser humano.

A verdadeira prosperidade.
Deus revela em sua Palavra seu desejo de que os seres humanos vivam felizes e sejam prósperos; ao povo de Israel, Ele disse: “Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais” (Jeremias 29:11). Deus prospera quem observa sua Palavra - sem os dissabores do lucro obtido na desobediência: “A bênção do Senhor enriquece, e, com ela, ele não traz desgosto” (Provérbios 10:22). A obediência aos princípios da Palavra de Deus é caminho para a prosperidade!
A Josué, sucessor do grande líder Moisés, o Senhor falou: “Não cesses de falar deste Livro da Lei; antes, medita nele de dia e de noite, para que tenhas cuidado de fazer segundo tudo quanto nele está escrito; então, farás prosperar o teu caminho e serás bem sucedido” (Josué 1:8). O livro de Salmos descreve o homem que obedece a Deus: “Ele é como árvore plantada junto a corrente de águas, que no devido tempo, dá o seu fruto, e cuja folhagem não murcha; e tudo quanto fizer será bem sucedido” (Salmo 1:3). O mesmo Salmo revela, em contrapartida, que a felicidade do desobediente é passageira, efêmera: “Os ímpios são como a palha que o vento dispersa” (1:4).
Explicando aos seus discípulos que Deus preocupa-se com o sustento de seus filhos e filhas, Jesus aconselhou: “Não andeis ansiosos de coisa alguma” (Mateus 6:25). E o apóstolo Pedro escreveu a seus leitores: “Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte, lançando sobre ele sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós” (1 Pedro 5:6, 7).
Deus tem cuidado dos que são seus, isto é, dos que nEle confiam. Os que crêem em Deus não vivem angustiados e podem declarar como o salmista: “Deito-me e pego no sono; acordo, porque o Senhor me sustenta” (Salmo 3:5). Enquanto os falsos deuses da Umbanda e os espíritos malignos exigem sacrifícios dos que para eles apelam, o Senhor Deus “trabalha para aqueles que nele esperam” (Isaías 64:4).

Considerações finais.
Certamente ainda há aqueles que pensam estar fazendo algo bom quando procuram apoio no ocultismo e invocam espíritos. É comum o ditado: “Todos os caminhos levam a Deus” - na verdade, um grande equívoco! Existem caminhos agradáveis e floridos, que desembocam em profundos e terríveis abismos. Pessoas ficam fascinadas com as propostas vantajosas do diabo e não se dão conta do alto preço que ele cobra em suas transações.
A Bíblia ensina que “há caminho que ao homem parece direito, mas ao cabo dá em caminhos de morte” (Provérbios 14:12) e só há um caminho que conduz à felicidade - é Jesus Cristo, quem disse: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (João 14:6).
O empresário cristão, que pela graça de Deus já foi transportado do império das trevas para o reino do filho do Seu amor, tem um ministério entre os demais empresários. É o ministério do atalaia, ou seja, da alertar os outros sobre os riscos que o envolvimento com os espíritos malignos pode trazer sobre sua vida e seus familiares. O empresário cristão pode e deve falar do Evangelho aos colegas, funcionários e fornecedores e clientes - como um missionário em sua própria terra!
Por sua vez, o empresário que ainda não entregou sua vida nas mãos de Jesus Cristo, reconhecendo-o como seu Senhor e Salvador, pode fazê-lo, pois agora conhece a verdade. Pode agora afastar-se do ocultismo ou nunca envolver-se nele, e pode ainda confiar todos os seus negócios aos cuidados de Deus. Como está escrito: “Vem do Senhor a salvação dos justos; ele é a sua fortaleza no dia da tribulação” (Salmo 37:39).

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

A CAMINHO DE EMAÚS: O MODELO DE UM MINISTÉRIO PASTORAL CONFIÁVEL


Pesquisa revela credibilidade de profissões e instituições.
Recentemente foi publicado o resultado de um levantamento de opinião pública realizado com exclusividade pelo Instituto Paraná Pesquisas para a Gazeta do Povo, de Curitiba (PR). Com o objetivo de revelar quais categorias profissionais e instituições os cidadãos curitibanos consideram mais ou menos confiáveis, a pesquisa abrangeu desde os cartolas do futebol até os bombeiros, e desde os partidos políticos até os Correios.
Entre os profissionais considerados mais confiáveis pela população estão os bombeiros, os professores e os enfermeiros. Não surpreendentemente, os mais desacreditados são os políticos: deputados federais, estaduais e senadores. Entre as instituições que desfrutam de mais credibilidade estão o Corpo de Bombeiros, os Correios, as emissoras de rádio e as Forças Armadas. As mais desacreditadas são os partidos políticos, o Congresso Nacional, os clubes de futebol e as empresas aéreas.
Pastores e igrejas evangélicas apareceram no resultado da pesquisa e, lamentavelmente, não alcançaram boa colocação. Há carteiros que caminham cerca de trinta quilômetros por dia carregando uma pesada bolsa de correspondências, e os bombeiros freqüentemente arriscam suas vidas no combate a incêndios e acidentes, mas os pastores terão de trabalhar muito mais e melhor para resgatarem sua credibilidade perante a opinião pública.
A pesquisa revela que 38% dos curitibanos confiam nos pastores, mas 49% não confiam, uma diferença de 11 pontos. Como se percebe, a desconfiança é maior do que a confiança! Já as igrejas evangélicas dividem ao meio os residentes da capital: 43% acreditam nelas e 43% não acreditam. Não são preocupantes esses números pelo que eles representam? O que levou os ministros e as igrejas evangélicas a serem tão depreciados?

Bom testemunho: A coerência entre prática e discurso.
Uma das razões porque o cristianismo tem perdido sua credibilidade e sua autoridade perante a sociedade no curso do tempo é o mau testemunho de seus líderes. Por isso o apóstolo Paulo escreveu: “É necessário que ele [o oficial da igreja] tenha bom testemunho dos de fora” (1 Timóteo 3:17). O exegeta neo-testamentário John Kelly comentou: “Como líder e representante do seu rebanho, o superintendente deve ter bom testemunho dos de fora, i.é, entre os não-cristãos, judeus e pagãos, na localidade (...) isto se aplica especialmente aos clérigos, por cujo caráter e conduta o mundo tende a julgar a igreja”.
É a falta de combinação entre a fé e a vida, entre o que se prega e o que se faz, entre o discurso e a prática, que tem desmoralizado os pastores e a igreja evangélica perante a sociedade brasileira. Como escreveu o Rev. Elben César, editor da Revista Ultimato: “O discurso de um jeito e a prática de outro é contradição, é hipocrisia, é escândalo”.
Infelizmente, muitas pessoas se lembram dos recentes acontecimentos lastimáveis envolvendo pastores e igrejas evangélicas, que certamente contribuíram para que o grau de confiança neles caísse tanto. Um exemplo é o site “Eu odeio pastores evangélicos”, no qual o autor comenta: “Eu desafio você que está lendo este texto, a passear por todos os canais de sua televisão agora, e duvido que você não seja obrigado a assistir a um programa evangélico apresentado por algum pastor com claras intenções de tomar o dinheiro dos fiéis”.
Não se faz necessário mencionar nomes, mas é impossível evitar a lembrança de situações constrangedoras que certamente acirram os ânimos e suscitam as mais severas críticas. Bastaria pensar nas declarações estapafúrdias de alguns evangelistas em cadeia nacional, nas denúncias de falsidade ideológica, sonegação de impostos e estelionato envolvendo pastores publicadas pelos jornais; bastaria pensar também na exagerada ênfase dada à arrecadação de dízimos e ofertas sob as promessas de prosperidade material e cura física, ainda que o mais visível seja o enriquecimento rápido dos próprios pregadores.

Jesus Cristo é o Pastor Confiável.
No evangelho Jesus se apresenta: “Eu sou o bom pastor” (João 10:11). Em seu comentário ao evangelho do IV domingo de Páscoa, o Padre Carlo Battistone, FFCIM, da Região Episcopal Sé – Arquidiocese de São Paulo, explica: “Obviamente bom não indica uma qualidade moral, não é sinônimo de bondoso, o sentido é antes mais próximo à palavra autêntico, confiável, disposto a tudo”.
O Novo Testamento narra o encontro de Jesus com dois discípulos logo após sua ressurreição, e é possível identificar nesse evento algumas pistas que apontam para o exercício do ministério confiável. Qualquer pessoa que se aproxima de um pastor pode observar a confiabilidade de seu ministério a partir destes aspectos. O texto bíblico é Lucas 24:13-35.
“Nesse mesmo dia, iam dois deles para uma aldeia chamada Emaús, que distava de Jerusalém sessenta estádios; e iam comentando entre si tudo aquilo que havia sucedido. Enquanto assim comentavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou, e ia com eles; mas os olhos deles estavam como que fechados, de sorte que não o reconheceram. Então ele lhes perguntou: Que palavras são essas que, caminhando, trocais entre vós? Eles então pararam tristes. E um deles, chamado Cleopas, respondeu-lhe: És tu o único peregrino em Jerusalém que não soube das coisas que nela têm sucedido nestes dias? Ao que ele lhes perguntou: Quais? Disseram-lhe: As que dizem respeito a Jesus, o nazareno, que foi profeta, poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo, e como os principais sacerdotes e as nossas autoridades e entregaram para ser condenado à morte, e o crucificaram. Ora, nós esperávamos que fosse ele quem havia de remir Israel; e, além de tudo isso, é já hoje o terceiro dia desde que essas coisas aconteceram. Verdade é, também, que algumas mulheres do nosso meio nos encheram de espanto; pois foram de madrugada ao sepulcro e, não achando o corpo dele voltaram, declarando que tinham tido uma visão de anjos que diziam estar ele vivo. Além disso, alguns dos que estavam conosco foram ao sepulcro, e acharam ser assim como as mulheres haviam dito; a ele, porém, não o viram. Então ele lhes disse: ó néscios, e tardos de coração para crerdes tudo o que os profetas disseram! Porventura não importa que o Cristo padecesse essas coisas e entrasse na sua glória? E, começando por Moisés, e por todos os profetas, explicou-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras. Quando se aproximaram da aldeia para onde iam, ele fez como quem ia para mais longe. Eles, porém, o constrangeram, dizendo: Fica conosco; porque é tarde, e já declinou o dia. E entrou para ficar com eles. Estando com eles à mesa, tomou o pão e o abençoou; e, partindo-o, lho dava. Abriram-se-lhes então os olhos, e o reconheceram; nisto ele desapareceu de diante deles. E disseram um para o outro: Porventura não se nos abrasava o coração, quando pelo caminho nos falava, e quando nos abria as Escrituras? E na mesma hora levantaram-se e voltaram para Jerusalém, e encontraram reunidos os onze e os que estavam com eles, os quais diziam: Realmente o Senhor ressurgiu, e apareceu a Simão. Então os dois contaram o que acontecera no caminho, e como se lhes fizera conhecer no partir do pão”.
O primeiro aspecto de um pastorado confiável é a presença. Há pastores ocupados demais para acompanhar suas ovelhas nas diversas circunstâncias de suas vidas. Estão mais interessados em aparecer na televisão, pois isso os fará conhecidos publicamente. Os últimos acontecimentos haviam sido dramáticos, os discípulos viviam momentos difíceis e sua fé nas palavras de Jesus era provada. Mas o Senhor não os abandonou, aproximou-se e começou a caminhar ao seu lado, mesmo que eles não o identificassem (vv 13-16).
O segundo aspecto é a compreensão. Atualmente, a preocupação excessiva de alguns pastores no crescimento numérico de suas igrejas e a sua aceitação pelo público mediante seu bom desempenho tem os tornado insensíveis às reais necessidades de seu rebanho. Jesus havia dedicado o precioso tempo de sua vida em ensinar a fé aos seus discípulos, e talvez esperasse que naquele momento crítico eles a praticassem. Mas, percebendo suas dificuldades, perguntou a respeito e os ouviu, compreendendo suas limitações (vv. 17-24).
Terceiro, o ensino. Há pastores que estabelecem seus ministérios sobre eles mesmos – os personalistas. Os sermões que pregam e o aconselhamento que prestam têm pouco ou quase nada de doutrina bíblica. Suas opiniões não são baseadas na Bíblia, mas em suas próprias impressões. Jesus, entretanto, não falou de si mesmo, mas remeteu os discípulos às Escrituras (vv 25-27). Como escreveu João Calvino: “Cuidemos que nossas palavras e pensamentos não voem além do que a Palavra de Deus nos diz (...) e prossigamos tal como ele se nos der a conhecer, sem tratar de descobrir algo sobre sua natureza fora da sua Palavra”.
O quarto aspecto é a identificação. Muitos pastores escondem do rebanho fraquezas e temores, projetando a falsa imagem de um líder inabalável, para não perder seu poder. Como diria o médico e psicoterapeuta cristão Paul Tournier, estes pastores deixam de ser pessoas e se tornam personagens, se afastando dos demais, como se não compartilhassem de sua natureza humana. Não foi isso o que Jesus fez: Aceitou o convite dos discípulos e entrou na casa, pois viajar à noite seria muito perigoso. Esta cena é uma metáfora a nos lembrar de que todos nós temos nossas limitações (vv 28-31).
O quinto e último aspecto é a ausência positiva, aquela que conduz o discípulo à iniciativa própria. Muitos pastores não querem que os membros de suas igrejas conheçam plenamente a Bíblia e atinjam o amadurecimento espiritual, pois temem perder a influência sobre eles. A maneira como Jesus pastoreou aqueles tristes e desanimados discípulos os fez recobrar seu ânimo e tomar por si mesmos a importante decisão de retornar ao convívio dos demais irmãos, o que também é muito salutar (vv 32-35).

Oração em favor dos bons pastores.
Muitos bons pastores, autênticos, confiáveis, dispostos a tudo bem do rebanho, sofrem as conseqüências da falta de escrúpulos dos maus pastores. Que o Senhor conceda aos pastores sabedoria para conduzir com honra o ministério que lhes foi confiado. E conceda aos membros das igrejas o discernimento necessário para discernir os pastores confiáveis dos que não são. Temos um bom exemplo na pessoa do apóstolo Paulo... Ele – um missionário, um evangelista, um pregador, um líder, um mestre e um pastor de almas –, rogou aos seus contemporâneos: “Irmãos, orai por nós” (1 Tessalonicenses 5:25). Se este grande homem de Deus pedia que se orasse por ele, todos os cristãos devem orar pelos bons pastores!

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

CONFIANÇA QUE SUPERA AS LIMITAÇÕES HUMANAS...

No mercado de trabalho extremamente competitivo da sociedade em que vivemos, na qual aparência, equipamento e treinamento promovem confiança para o sucesso, que outras alternativas teriam aqueles que desejam vencer segundo os princípios da Palavra de Deus?

As diferenças entre dois homens.
Na Escritura Sagrada, mais especificamente no capítulo 17 do primeiro livro que leva o nome do sacerdote Samuel, está o relato do famoso confronto entre Davi e Golias. Na verdade, tal evento é conhecido não apenas pela Bíblia, mas também através de histórias adaptadas, desenhos animados e até filmes para a televisão e o cinema. Em cada caso, uns são mais fiéis à descrição bíblica, outros, menos.
Qualquer pesquisa, por mais superficial que seja, fornece informações interessantes sobre estes dois homens tão diferentes, que encaravam as situações da vida de formas diferentes e que, por causa disso, chegaram a fins tão diferentes em suas existências. Deste duelo singular é possível extrairmos lições preciosas, aplicáveis não apenas em nossos negócios ou estudos, mas também em quaisquer outras áreas de nossas vidas.
Golias era natural de Gate, uma das cinco principais cidades da Filístia. Sua altura era de “seis côvados e um palmo”. O Novo Dicionário da Bíblia informa que tal medida provavelmente corresponderia hoje a 3,20 metros – impressionante, mesmo para os padrões atuais. É relevante saber que foram encontrados na Palestina esqueletos humanos de estatura semelhante, do mesmo período: cerca de 1.100 a.C.
Davi, da tribo de Judá, era o caçula de oito irmãos e viria a ser o segundo rei de Israel. Foi pastor das ovelhas de seu pai, harpista no paço real e compositor da maioria dos salmos conhecidos. O autor do livro de Samuel informa que era “ruivo, de belos olhos e boa aparência”. Sabe-se que ele não era alto.

Em que confiava Golias?
O duque François de La Rochefoucauld (1613-1680), um dos críticos mais severos de sua época dentre os nobres franceses, escreveu: “A confiança que temos em nós mesmos reflete-se em grande parte na confiança que temos nos outros”. Este pensamento aplica-se, pelo menos em parte, na situação vivida por Golias, pois percebemos claramente que suas atitudes e posteriores conseqüências resultam do objeto – ou objetos – sobre o qual ele depositava sua confiança. Então vejamos...
Em que confiava Golias? Em primeiro lugar, confiava em sua aparência. Ele era meio metro mais alto do que os maiores jogadores de basquete norte-americanos da atualidade, ou seja, alguém difícil de ser suplantado. Sua elevada altura impunha respeito e provocava temor. Em segundo lugar, ele confiava em suas armas. Usava um capacete maciço, uma enorme armadura, grandes caneleiras e um dardo – tudo de bronze – nas partes do corpo que precisavam de proteção. Ele carregava uma lança com ponta de ferro que pesava quatro quilos. Por fim, confiava também em suas capacidades, isto é, em seu treinamento.
O Dr. Lynn Anderson explica: “As tropas naqueles dias eram constituídas normalmente por rapazes do campo e pastores recrutados em fileiras, após alguns profissionais militares. Freqüentemente, na batalha, cada lado enviava um profissional à luta”. Golias era um desses, cuja confiança expressa num desafio: “Escolhei dentre vós um homem que desça contra mim. Se ele puder pelejar comigo e me ferir, seremos vossos servos; porém, se eu o vencer e o ferir, então, sereis nossos servos e nos servireis”.

Em quem confiava Davi?
É verdade que o jovem pastorzinho havia defendido seu rebanho de animais selvagens, mas nenhum que se comparasse à ameaça de um homem fisicamente privilegiado, fortemente armado e adequadamente treinado.
Antes de tudo, Davi confiava em suas experiências com Deus, como ele mesmo explicaria ao rei Saul: “Teu servo apascentava as ovelhas de seu pai; quando veio um leão ou um urso e tomou um cordeiro do rebanho, eu saí após ele, e o feri, e livrei o cordeiro da sua boca; levantando-se ele contra mim, agarrei-o pela barba, e o feri, e o matei.... O Senhor me livrou das garras do leão e das do urso; ele me livrará das mãos deste filisteu”.
Davi confiava também nas promessas de Deus, como declararia ao gigante: “Tu vens contra mim com espada, e com lança, e com escudo; eu, porém, vou contra ti em nome do Senhor dos Exércitos, o Deus dos exércitos de Israel, a quem tens afrontado. Hoje mesmo, o Senhor te entregará nas minhas mãos; ferir-te-ei, tirar-te-ei a cabeça e os cadáveres do arraial dos filisteus darei, hoje mesmo, às aves dos céus e às bestas-feras da terra; e toda a terra saberá que há Deus em Israel”.
E certamente Davi confiava no poder sobrenatural de Deus. Flávio Josefo, escritor e historiador judeu que viveu entre 37 e 103 d.C. comenta: “Davi, por quem Deus combatia de maneira invisível, avançou corajosamente contra Golias, tirou uma pedra da sacola, colocou-a na funda e lançou-a com tal rapidez, que tendo atingido o gigante no meio da testa, penetrou-lhe dentro da cabeça e o fez cair morto, com o rosto por terra”.

As outras alternativas.
Como é possível observarmos, além de aparência, equipamento e treinamento, o profissional cristão – bem como o estudante, o marido e pai, a esposa e mãe, filho e irmão cristãos –, tem alternativas para atingir vitória e sucesso em seus empreendimentos e relacionamentos que corroborem para o louvor da glória de Deus.
Enquanto tantas pessoas buscam a realização de seus objetivos e a solução de seus problemas confiando unicamente naquilo que é tangível, plausível e verossímil, os cristãos exercitam uma confiança que supera as limitações humanas, como as de Davi foram superadas porque confiava nas experiências, nas promessas e no poder de Deus. Como está escrito: “Confia no Senhor de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento” (Pv 3:5). A esta confiança a Bíblia dá o nome de fé. Foi esta confiança o fator decisivo na história da vida de Davi.
O Dr. Charles Swindoll, pastor, professor e presidente do Seminário Teológico de Dallas, Texas, EUA, autor de mais de 40 livros, comenta: “A beleza desta história é que ela dá um exemplo perfeito de como Deus opera... Não precisamos ser eloqüentes, fortes ou de boa aparência. Não temos de ser belos e brilhantes ou ter todas as respostas para sermos abençoados por Deus. Ele honra a nossa fé. Tudo o que o Senhor nos pede é que confiemos nele, que nos coloquemos diante dele com integridade e fé, e ele vencerá a batalha”.Com propriedade, o Dr. Swindoll conclui: “Deus está apenas aguardando o seu momento, esperando que confiemos nele para capacitar-nos a combater nossos gigantes”. Deus permita que esta compreensão da história de Davi e Golias sirva para que você e eu expressemos tal confiança, que supera todas as limitações humanas.