sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

LOBOS DISFARÇADOS DE CORDEIROS


Os lobos vorazes estão soltos!
Talvez o leitor de mais idade se lembre dos antigos desenhos animados de lobos que tentavam enganar os cachorros para roubar ovelhas de algum aprisco! Eu não minto quando digo que assisti uma porção deles na minha infância. Só não imaginava na época que tais programas serviriam como ilustração para uma triste realidade da igreja cristã, especialmente a igreja evangélica brasileira atual.
Refiro-me aos lobos vorazes, que não poupam o rebanho. Falo dos farsantes, matreiros, enganadores, que se aproveitam da fé dos menos precavidos e exploram o povo de Deus. Como disse Jesus: “Eu sei que, depois da minha partida, entre vós penetrarão lobos vorazes, que não pouparão o rebanho” (At 20:29). Estão em todo lugar: em grandes catedrais ou minúsculos salões, muitas vezes no rádio e até na televisão. Nem sempre é fácil identificá-los, pois aparentam unção e simulam piedade – convincentemente!
Sim, eles existem! Por mais que desejássemos, não poderíamos negar que, desde os tempos mais antigos, eles iludem grande número de pessoas, tentando tirar delas tudo o que podem. Na verdade, negar a existência deles seria o mesmo que ignorar todas as advertências da Bíblia Sagrada.
O que a Bíblia fala sobre eles?
No Velho Testamento, são identificados pelos profetas de Deus como cães gulosos que nunca se fartam e pastores que nada compreendem (Is 56:11), pastores que destroem e dispersam as ovelhas do Senhor (Jr 23:1) e que se apascentam a si mesmos (Ez 34:2)!
Também não faltam pejorativos para descrevê-los em o Novo Testamento. A preocupação do Senhor Jesus quanto ao risco que representam chega a ser alarmante. O Supremo Pastor de nossas almas dizia: “Acautelai-vos” (Mt 7:15). Ele não disfarçava sua reprovação ao chamá-los de “lobos roubadores” e “mercenários” (Jo 10:12). O apóstolo Paulo rotulava-os “cães” e “maus obreiros” (Fp 3:2), enquanto que Pedro os considerava “insubordinados” (2 Pe 3:17).
Judas, que não era o Iscariotes, escreveu apenas uma brevíssima epístola, de um só capítulo, mas demonstrou surpreendente verbosidade ao referir-se a eles como “sonhadores alucinados”, “rochas submersas”, “nuvens sem água”, “árvores sem frutos”, “ondas bravias do mar” e “estrelas errantes” (vv 8, 12s).
Comércio de bens espirituais.
O que estes charlatães da fé fazem nos dias de hoje não é muito diferente do que fez Simão, o ilusionista de Samaria, que se “converteu” ouvindo a pregação do evangelista Filipe (At 8:9-13). Quando os apóstolos Pedro e João foram até o lugar e oravam a Deus para que os crentes recém convertidos recebessem o Espírito Santo, impondo-lhes as mãos, Simão ofereceu-lhes dinheiro para que tal poder lhe fosse concedido (At 8:14-25).
Conforme nota da Bíblia de Estudo de Almeida, “desta história de Simão procede a palavra simonia, com a qual se faz referência ao indevido comércio com postos eclesiásticos e com as coisas sagradas”. A prática da simonia sempre esteve presente na história da igreja cristã, chegando a ser um dos estopins que levaram à deflagração da Reforma Protestante no século dezesseis.
Hodiernamente temos assistido a uma pregação adulterada do evangelho de Cristo. As bênçãos já não são mais recebidas pelos cristãos como expressões da graça maravilhosa de Deus. São vendidas bugigangas como se fossem amuletos, para espantar azar e fetiches para atrair boa sorte. Em algumas igrejas, “pastores” chegam leiloar o valor dos dízimos e a pedir quantias exorbitantes em troca de uma oração por qualquer motivo.
O que fazer?
Acredito que muitos cristãos, sinceros e honestos em seu desejo de viver de forma que agrade ao Senhor, temam desprezar alguém que se apresente como servo de Deus e legítimo representante do reino dos céus. E, lamentavelmente, a superficialidade do conhecimento bíblico da maioria dos evangélicos brasileiros contribui para que sejam enganados pelos mais espertos.
Creio, portanto, que somente o conhecimento profundo da Palavra sirva para manter qualquer crente preparado para rechaçar o aliciamento destes falsos obreiros, que são criativos em inventar novas maneiras de tirar dinheiro dos mais incautos. De fato, identificá-los e evitá-los não é tarefa fácil. Jesus avisou: “... porque surgirão falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos” (Mt 24:24).
Se tais cristos e profetas são tão convincentes a ponto de confundir até os eleitos de Deus, então faz-se necessário buscarmos ainda melhor preparo, que é o conhecimento cada vez maior da Palavra de Deus. Se os ignoramos, não desagradamos a Deus, pelo contrário: fazemos o que a Bíblia prescreve. O apóstolo João escreveu: “Todo aquele que ultrapassa a doutrina de Cristo e nela não permanece não tem Deus; o que permanece na doutrina, esse tem tanto o Pai como o Filho. Se alguém vem ter convosco e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem lhe deis as boas-vindas” (2 Jo 1:9s).
Concluo, então, apelando ao leitor: não se deixe levar por promessas mirabolantes e discursos agradáveis. Não dê seu dinheiro a qualquer um que se apresente como missionário ou obreiro. Procure conhecer seu pastor e sua família, mantenha-se firme em sua igreja e estude sempre a Bíblia. Deus o abençoe!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

O QUE PENSAM AS PESSOAS SOBRE VIDA APÓS A MORTE?


Resultados de uma pesquisa sobre vida após a morte.
O INBRAPE - Instituto Brasileiro de Estudos e Pesquisas Sócio-Econômicos divulgou, no ano de 2001, os resultados de uma pesquisa realizada, enfocando a crença na vida após a morte. O referido órgão entrevistou, entre os dias 18 e 22 de janeiro daquele ano, 502 pessoas, todas moradoras do município de Londrina, no Estado do Paraná. As entrevistas foram pessoais, sendo a amostragem não aleatória, distribuídas nas quatro regiões da cidade. Entre outras, foram abordadas questões sobre vida após a morte e o que acontece com a alma ou espírito após a falência do corpo.
Os resultados da pesquisa podem significar apenas números para um estudante de estatística, mas, para os cristãos preocupados em comunicar a mensagem da salvação pela graça mediante a fé em Jesus Cristo (Efésios 2:8) àqueles que ainda têm o entendimento obliterado pelo deus deste século para que lhes não resplandeça a luz do Evangelho da glória de Cristo (2 Coríntios 4:4), são alarmantes!
Observemos e analisemos as informações obtidas: dos que crêem na sobrevivência da alma, 58% acreditam que esta vai para o céu, inferno ou purgatório. Percebemos que nesta categoria de pessoas estão somados católicos e evangélicos, pois ambos os grupos crêem na vida eterna, ainda que discordem quanto a uma terceira possibilidade de destino, o purgatório. O apologista católico Fernando Cardoso o define como o lugar onde, entre tormentos, são purificadas as almas dos que morreram sem ter resgatado a totalidade da pena merecida por seus pecados antes de chegar ao céu.
Ainda entre os que crêem na vida após a morte, 34% acreditam que a alma continua em atividade no mundo espiritual, conforme o grau de evolução. Entendemos que este grupo expressivo representa os que aceitam a teoria da reencarnação, isto é, explicada pelos kardecistas como meio de purificação do espírito. Conforme Allan Kardec, quando o espírito não atinge a perfeição durante a vida corpórea, é submetido a uma nova existência, que se repete tantas vezes quantas forem necessárias para, por fim, tornar-se um espírito puro.
Dos entrevistados, 5% acreditam que tudo acaba com a morte. Estes não crêem, por ignorância ou propositadamente, em qualquer prosseguimento de vida no além-túmulo. De certa forma, assim crêem os adeptos da Igreja Mundial de Deus, os Adventistas do Sétimo Dia, os Testemunhas de Jeová e muitos outros grupos religiosos hodiernos, com relação aos “infiéis” ou “incrédulos”. É a doutrina do aniquilacionismo, “a qual alega que, após a morte, a alma do ímpio não será punida eternamente num inferno literal, mas, ao invés disso, simplesmente deixará de existir”.
Por fim, 2% dos entrevistados acreditam que todos vão para o céu. Este é o grupo dos que defendem o universalismo, também identificado pelo termo grego apocatástases: sustenta que todos alcançarão completa salvação e ninguém será reprovado. No final dos tempos Deus reconciliará consigo todos os seres humanos, independentemente das obras, méritos e intenções de cada um.

Respostas bíblicas aos ensinos heterodoxos.
Em seu Dicionário de Teologia, o Pr. Claudionor Côrrea de Andrade, professor de teologia sistemática e filosofia, define a vida após a morte na perspectiva cristã como o período que se segue à morte física do ser humano, abrangendo: o estado intermediário, que vai da morte à ressurreição corporal; a ressurreição com o conseqüente julgamento; o destino eterno.
Entendemos por heterodoxo (não ortodoxo) todo ensino que contraria os princípios ou doutrinas de uma religião, compreendendo que ortodoxia é o ensino religioso tido como verdadeiro. Os resultados da pesquisa do INBRAPE revelam o quanto estes ensinos heterodoxos sobre vida após a morte estão arraigados na sociedade londrinense e, permitamo-nos inferir, na sociedade brasileira. Isto significa que milhares de pessoas são e estão enganadas quanto ao modo da sua salvação e o destino eterno de suas almas.
Aos que crêem no purgatório enquanto meio de purificação para se chegar ao céu, a Bíblia ensina que Cristo é o único caminho para a salvação (João 14:6; Atos 4:12) e que esta nos é concedida mediante a graça de Deus, manifesta em Jesus (Romanos 3:22-28). Neste processo recebemos de Deus o perdão dos nossos pecados (Atos 10:43; Romanos 4:6-8), e somos livres de toda condenação (Romanos 1:16; 1 Coríntios 1:18). A Bíblia Apologética afirma que: “Basta crer no coração que Jesus morreu por nossos pecados e ressuscitou fisicamente dentre os mortos. Teremos, então, assegurados o perdão e a ressurreição do nosso corpo. Este é o plano amoroso de Deus para perdoar os pecadores”.
Aos ensinos kardecistas a Bíblia responde que aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo (Hebreus 9:27), desmentindo assim a teoria da reencarnação. Ao invés de existências repetidas, em Cristo temos consolo e conforto muito mais eficazes: somos libertos da ira vindoura de Deus (Romanos 5:9), temos participação em Sua glória (Romanos 8:29; 2 Ts 2:13-14) e receberemos nossos galardões (Apocalipse 2:7).
Aos que crêem no aniquilacionismo e no universalismo, a Bíblia responde, novamente afirmando que após a morte todas as pessoas serão julgadas (Hebreus 9:27). Tanto salvos quanto perdidos ressuscitarão, os primeiros para viver com Cristo nos céus e os últimos para sofrer justa punição, isto é, o tormento do inferno - a separação eterna de Deus! O universalismo é uma idéia antiga, cuja origem relaciona-se com o Zoroastrismo - antiga religião da Pérsia, fundada por Zoroastro, também chamado Zaratustra (660 a.C.) e com outras religiões orientais. Teve vários e diferentes proponentes através dos séculos, mas foi considerado herético nos círculos cristãos tradicionais.
A Bíblia de Estudo de Genebra assevera: “A Bíblia não ensina que, após a morte, haja outra possibilidade de salvação para o perdido (Lucas 16:26). Depois da morte, tanto os piedosos como os ímpios colherão o que tiverem semeado neste mundo (Gálatas 6:7-8)”. Além do mais, não podemos ignorar o ensino bíblico quanto a realidade do inferno, o lugar de habitação dos condenados à punição eterna, no Juízo Final (Mateus 25:41-46; Apocalipse 20:11-15).

As nossas atitudes diante da realidade.
Os resultados da pesquisa são alarmantes porque nos revelam a confusão dos ensinos contraditórios que têm sido veiculados pelas várias religiões não-cristãs e seitas pseudo-cristãs de nossos dias. Milhares de pessoas estão, inadvertidamente, aceitando estes ensinos como verdade. O problema maior é que o conceito da realidade da vida após a morte vai interferir, direta ou indiretamente, em sua compreensão do caminho para a sua salvação. A maioria das proposições mencionadas até agora são incompatíveis com o plano de Deus para a redenção da humanidade proposto no ministério de Cristo. O que pode fazer o cristão quando seres humanos caminham a passos largos em direção ao inferno, alheios ao destino que lhes aguarda? Podemos pensar em três atitudes...
Primeira, a atitude de intercessor: orar a Deus por todos os homens (1 Timóteo 2:1) e em favor das vítimas dos hipócritas que falam mentiras (1 Timóteo 4:2). São da missionária irlandesa Amy Carmichael (1867-1950) as belas palavras: “Ah, quem me dera ter grande paixão pelas almas, ter uma compaixão que se apieda! Ah, quem me dera ter um amor que amasse até à morte, um fogo que me consumisse! Ah, quem me dera ter o poder da oração vitoriosa, que se derrama em favor dos perdidos! Uma oração vitoriosa em nome daquele que venceu. Ah, quem me dera um Pentescostes”.
Segunda, a atitude de atalaia, como a de um profeta (Ezequiel 3:16-20): advertir as pessoas do perigo que correm ao dar crédito a tais ensinos. Se não fizermos isso, teremos de prestar contas pelos infortúnios que sofrerem (vv 18 e 20). Em seu livro “Por que tarde o pleno avivamento?” o escritor norte-americano Leonard Ravenhill pergunta: “Será que um marinheiro ficaria parado se ouvisse o clamor de um náufrago? Será que um médico permaneceria sentado comodamente, deixando seus pacientes morrerem? Será que um bombeiro, ao saber que alguém está perecendo no fogo, ficaria parado e não iria prestar-lhe socorro? E você, conseguiria ficar ‘à vontade em Sião’ vendo o mundo ao seu redor ser condenado?”.
Última, a atitude de um evangelista, de um missionário, que não apenas ora ou adverte, mas que sai de si e vai até o outro para anunciar-lhe o novo e verdadeiro caminho que leva a Deus (Hebreus 10:20). O “Ide” do Senhor Jesus (Mateus 28:18-20) não foi endereçado apenas a pastores e líderes, mas a todos os crentes. O pastor e escritor brasileiro Edison Queiróz indaga: “Quem é que tem a responsabilidade de executar a obra de Deus aqui na terra? Sou eu! Eu tenho de entender que, se sou salvo, se saí das trevas para a luz, isto não é simplesmente uma questão de misericórdia de Deus, que me livrou da condenação; Deus me salvou, me libertou, para que eu levasse a mesma mensagem libertadora aos que estão ao meu redor”.
Deus tenha misericórdia de nós se não nos inflamarmos diante do triste quadro que a pesquisa do INBRAPE descortina diante de nossos olhos. Não permita o Senhor que nosso ardor tenha diminuído tanto a ponto de não nos constrangermos e nos movermos para mudar essa realidade. Que Ele nos capacite com poder e unção do Espírito Santo para orar por essas vidas, advertir do risco que correm e pregar a elas o Evangelho que salva.