quarta-feira, 12 de março de 2008

O PERIGO DO FANATISMO RELIGIOSO


Introdução: Um fato não datado, mas dramático.
O rio Ganges é sagrado para os indianos: ali os hindus lançam as cinzas dos corpos cremados de seus falecidos. Os pobres, entretanto, por não possuírem dinheiro para a lenha, lançam corpos inteiros que se desfazem nas águas. Apesar disso, pessoas se banham nele e bebem sua água por acreditarem que é santificada. Um casal de missionários assistiu um jovem casal indiano lançar o seu bebê ainda vivo no Ganges. Eles se aproximaram e perguntaram aos pais se fizeram aquilo por que a criança não era seu filho ou por não terem condições de sustentá-la. Como responderam que era seu filho e que poderiam sustentá-la, os missionários quiseram saber o verdadeiro motivo que os levou a lançarem seu bebê no rio. A resposta foi que um dos seus deuses havia exigido tal sacrifício.

Situações reais, fatos verídicos.
Em 1978, Jim Jones, líder do movimento Templo do Povo, levou 914 pessoas ao suicídio coletivo, ordenando que bebessem ponche misturado com cianeto em sua comunidade localizada em Jonestown, na Guiana. Em 1988, o poeta Salman Rushdie foi condenado à morte pelo aiatolá Khomeini, líder da ditadura islâmica do Irã por escrever o livro Versos Satânicos, considerado uma ofensa aos muçulmanos.

Em 1993, Nos Estados Unidos, oitenta adeptos da Seita do Davidianos – entre eles dezessete crianças –, morreram carbonizados numa tentativa de invasão realizada pelo FBI para prender seu líder, David Koresh. Ele era acusado pelo governo de posse ilegal de armas e maus-tratos contra menores de idade. Reivindicando-se a reencarnação de Jesus Cristo, dizia que tinha o direito tanto de se armar quanto o de praticar sua religião.

No ano 2000, quinhentos integrantes do Movimento pela Restauração dos Dez Mandamentos, de Uganda, espontaneamente se suicidaram, ao trancarem as portas e as janelas do templo em que se reuniam e o incendiarem; eles acreditavam que o edifício era uma arca que seria levada ao céu pela Virgem Maria. Estas situações, entre tantas outras, formam um painel dramático que retrata as conseqüências de um dos aspectos mais tristes das religiões, que nem mesmo a modernidade conseguiu extinguir: o fanatismo!

Definição e características de um fanático.
O Novo Dicionário Básico da Língua Portuguesa define o fanático como alguém que se considera inspirado por uma divindade, pelo espírito divino, ou ainda, mais alarmante, alguém que adere cegamente a uma doutrina, a um partido. Todo fanático – religioso ou não –, alimenta um zelo cego, faccioso, exaltado, beirando as raias da violência, devido à sua intolerância diante de outras expressões de fé e opinião!

Voltaire, iluminista francês do século dezoito, cujo verdadeiro nome era Francisco Maria Arouet, foi inimigo de todo fanatismo. Testemunha da perseguição aos protestantes durante os últimos anos do reinado de Luís XIV, e convencido de que tal perseguição era injustificável, declarou: "O homem que diz – Creia como eu, senão Deus o excomungará, dentro em breve estará dizendo – Creia como eu, senão eu o assassinarei".

Não é exagero, portanto, afirmar que a fé cega e desorientada não agrada a Deus, antes entristece e denigre o seu Espírito Santo. O apologista Natanael Rinaldi descreve o fanático como alguém agressivo, preconceituoso, mentalmente limitado, totalmente crédulo quanto ao seu próprio sistema de fé e igualmente incrédulo quanto aos sistemas contrários, de valores subjetivos e individualistas. Mas alerta que o fanatismo pode tornar-se ainda mais perigoso "quando se torna uma atitude de multidão, ou quando é empregado na defesa de alguma suposta causa santa".

Conhecimento da Palavra de Deus, o melhor remédio.
Uma das razões porque muitos cristãos são facilmente enganados pelos líderes das seitas, que dizem receber revelações diretas de Deus, é a falta de conhecimento da Palavra de Deus. O zelo é positivo e necessário, afinal, devemos, sim, defender nossa fé! Mas zelo sem entendimento torna-se fanatismo. Certa vez, mais de 40 judeus fizeram um juramento, sob pena de maldição, que não comeriam nem beberiam enquanto não matassem o apóstolo Paulo (At 23:18). A matança ou a manipulação de inocentes se dá por que estes são convencidos por ensinos que, na maioria das vezes, não têm ou extrapolam o respaldo bíblico. Muitas tragédias desnecessárias seriam evitadas se os cristãos buscassem mais conhecimento das verdadeiras revelações de Deus, registradas há milhares de anos na sua Palavra.

Jesus Cristo repreendeu alguns religiosos tendenciosos que tentavam distorcer doutrinas, dizendo-lhes: "Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus" (Mt 22:29). O apóstolo Pedro admoesta convenientemente seus leitores: "Vós, pois, amados, prevenidos como estais de antemão, acautelai-vos; não suceda que, arrastados pelo erro desses insubordinados, descaiais da vossa própria firmeza; antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo" (2 Pe 3:17s). O preparo dos crentes é estimulado e orientado pelo mesmo apóstolo: "Santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós, fazendo-o, todavia, com mansidão e temor, com boa consciência" (1 Pe 3:15).

É forte o exemplo deixado pelo reformador Martinho Lutero, que conseguiu derrubar mil anos de confissões da igreja medieval porque eram baseadas na tradição humana e não nas Sagradas Escrituras. Diante dos tribunais que tentavam condená-lo, ele declarou: "Não vou usar de mais argumentos e a menos que seja convencido pela Bíblia; não aceito a autoridade papal, nem os concílios de tradição católicos. Todos eles se contradizem. Minha consciência está cativa à Palavra de Deus. Tudo que posso fazer é não negar os meus livros, pois não posso ir de encontro a minha consciência. Ajuda-me, Senhor Deus! Amém".

Uma oração como forma de conclusão.
Que Deus fortaleça os cristãos brasileiros, a fim de formar um verdadeiro exército, que lute contra todas as forças de opressão, sejam elas demoníacas ou humanas. Todos podem contribuir para isso, preparando-se melhor, equilibrando o conhecimento da graça, do poder e da palavra de Deus. Fora com a ignorância e o fanatismo!

4 comentários:

TONINHO - PSICOTON disse...

Gostei muito do texto, pois ele é claro,objetivo e de facil compreensão.
Creio que algumas pessoas dentre os fanaticos, são pessoas altamente patologicas, que possuem disturbios e neuroses ou ate mesmos sejam psicoticas, de certa forma elas acabam encontrando alivio e refrigerio para suas almas em uma vida mistica e transcendental, pois a mente patologica não consegui distinguir o mundo imaginário do mundo real...

Patricia Moreira disse...

Que chik pastor!!!!!!!!!! Nunca tinha entrado num blog!!!!!
Adorei o tema!!!!
O fanatismo tem feito muitos mergulharem para a morte e merece esse alerta.
Um grande abraço,
Pat

wagner disse...

Sem comentario Rev. osley...simplismente sem comentario...

Esse blog e como um discipulado tbm...Continue sempre assim..com essa expiracao divina...

Deus o abencoe...

Wagner NY

Lilian disse...

Graça e paz!
Querido pastor,realmente o assunto é delicado e complexo...
Cremos que estes indivíduos carentes, desequilibrados psicológicamente,enfim, patológicos, por necessidade firmam-se em falsos líderes ou em falsas promessas!
O pastor citou alguns fatos bárbaros, que ao longo dos tempos têm ocorrido, situações(notícias) que ganharam manchetes e chocaram o mundo!
Mas penso que: O primeiro exemplo citado, não foi
por "desequilíbrio",por interpretação incorreta da PALAVRA, por FANATISMO... mas sim, por falta de conhecimento da mesma! Ainda não foram evangelizados... Por isso Nosso Senhor Jesus Cristo ainda não voltou... muitos ainda não tiveram oportunidade de ouvir da SUA Salvação...
Também cremos que existem outros e/vários estágios de fanatismos... que nem por isso insignificantes ou menos perigosos...
Fanáticos pela religião,pelos dogmas de sua denominação, pela "placa", pelo seu pastor... ALIENADOS... CATIVOS... MORNOS... GELADOS... Aprisionados, iludidos quando acham que servir ao Senhor é dentro das quatro paredes do templo que frequentam....
Não estão na dispensação do Senhor e nem tão pouco gozam da graça do Espírito Santo de Deus!
Quero parabenizá-lo Pastor, por levantar a questão, é por aí mesmo... Temos que compartilhar, refletir, mastigar e digerir tudo o que nos apresentam... não podemos engolir de qualquer forma... Pedindo sempre discernimento ao Espírito e nos colocando à disposição do Senhor!
Sejamos soldados de frente de batalha! Levemos as boas novas aos cativos!
Afinal temos o Selo da Promessa!

com carinho,
Lilian Almeida Cunha