sexta-feira, 13 de junho de 2008

A PREGAÇÃO E O EXAME DAS ESCRITURAS

O evangelista Lucas, médico amado e companheiro do apóstolo Paulo em suas viagens missionárias, elogiou os crentes da cidade macedônica de Beréia, considerando-os “mais nobres do que os de Tessalônica; pois receberam a palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim” (Atos dos Apóstolos 17:11). Inspirado por esta passagem do Novo Testamento, estimulando-nos a tomar tal atitude como exemplo, o comentarista bíblico Orlando Boyer escreveu: “As Escrituras se abrem mais e mais para os que assim as estudam”.
Enquanto Paulo lhes anunciava o Evangelho, os bereanos comparavam seus ensinos com a Palavra escrita de Deus, estabelecendo assim um bom exemplo para toda a Igreja através da história. Fazendo isto, eles não demonstravam arrogância ou presunção, nem se consideravam superiores ao apóstolo. E certamente Paulo não ficou ultrajado quando os viu submeter sua pregação à joeira das Sagradas Escrituras.
No século dezesseis, homens como Martinho Lutero e João Calvino utilizaram a expressão latina sola Scriptura para estabelecer o princípio da autoridade suprema das Escrituras em matéria de fé e prática como um dos postulados da Reforma Protestante. Este princípio serviu para resgatar o direito ao livre exame das Escrituras, que já há muito era negado aos que não pertenciam à classe eclesiástica; quer dizer, ele retornou a todo cristão o direito e o dever de ler e estudar a Bíblia para sua instrução e encorajamento.
O relato do livro de Atos nos dá preciosas lições que norteiam nossa relação com a Bíblia Sagrada: Quem ministra a Palavra deve pregar a sã doutrina. Quem ouve a Palavra deve atendê-la com diligência, preparação e oração. Quem ministra a Palavra o faz zelosamente e com amor a Deus. Quem ouve a Palavra recebe a verdade com fé, amor, mansidão e prontidão de espírito. Quem ministra a Palavra procura converter, edificar e salvar almas. Quem ouve a Palavra medita nela e fala dela às outras pessoas.
Hodiernamente, em que tantos ensinos heréticos têm sido veiculados, cabe a nós atentar para o modelo bereano. Com este acareamento salutar, não ofendemos os verdadeiros ministros da Palavra, pois estes a amam e a respeitam. Com esta confrontação defensória honramos o nome do Senhor da Palavra. Que haja em nós a mesma disposição do salmista quando declarou: “Quanto amo a tua lei! É a minha meditação todo o dia!” (Salmo 119:97). Ou quando ele orou: “Desvenda os meus olhos, para que eu contemple as maravilhas da tua lei” (Salmo 119:18). Que o Senhor nos abençoe com sua graça e nos guarde pelo seu poder!

Um comentário:

Wagner Marques disse...

Muiiiito bommmm, reverendo...
Simples e facil de entender, assim sao os seus post...alem do mais, muito edificantes....

Grande abraco


Wagner