terça-feira, 29 de julho de 2008

A JUSTIFICAÇÃO E SEUS BENEFÍCIOS

Introdução.
Em sua epístola aos romanos, Paulo escreveu: "Mas agora, sem lei, se manifestou a justiça de Deus testemunhada pela lei e pelos profetas; justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo, para todos [e sobre todos] os que crêem; porque não há distinção, pois todos pecaram e carecem da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus, a quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos; tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus" (Romanos 3:21-26).
Com estas palavras o apóstolo recorda a doutrina da salvação no judaísmo, mantendo assim um diálogo com seu próprio passado, quando ainda se chamava Saulo. E é justamente por causa disso que ele pôde falar com tamanha autoridade, pois sabia que o judeu acreditava que o ser humano teria por si mesmo a possibilidade de cumprir a lei e, assim, ser justificado. Mas Paulo, uma vez convertido, afirmou categoricamente que não há nada que o ser humano possa fazer para ser justificado perante Deus e obter a salvação. Ele demonstra então que isto acontece na vida do pecador mediante a fé na graça de Deus que se manifesta em Jesus Cristo!
Grenz, Guretzki e Nordling, em seu Dicionário de Teologia, assim definem justificação: "Sendo termo forense (jurídico) relacionado à idéia de absolvição, justificação refere-se ao ato divino em que Deus, santo e justo, torna os humanos - pecadores e, por isso, merecedores de condenação - aceitáveis diante dele. Designada mais acertadamente como 'justificação pela fé', essa doutrina fundamental da Reforma afirma que o pecador é justificado (absolvido da punição e da condenação do pecado) e levado a um relacionamento com Deus exclusivamente pela fé na graça divina".
É necessário que esta mensagem seja levada à Igreja e ao mundo, principalmente nestes tempos em que muitos baseiam sua experiência com Deus em sentimentos e emoções apenas, que são por natureza subjetivos e ambíguos. É preciso estimular os crentes a fim de que cresçam depositando sua fé nos fatos bíblicos e nas verdades divinas, desenvolvendo assim uma espiritualidade sólida, saudável e, principalmente, agradável a Deus, e compreendam todos os benefícios que a justificação proporciona.
A compreensão da doutrina da justificação contribui para isso pois, diferente da conversão e da santificação - que evidenciam visivelmente a ação de Deus sobre o pecador -, exige fé! Foi após entender o que isto significa que Lutero pôde escrever: “Ansiava muito por compreender a epístola de Paulo aos Romanos, e nada me impedia o caminho senão a expressão: a justiça de Deus, porque a entendia como referindo-se àquela justiça pela qual Deus é justo e age com justiça quando pune os injustos. Noite e dia eu refletia até que captei a verdade de que a justiça de Deus é aquela justiça pela qual, mediante a graça e a pura misericórdia, Ele nos justifica pela fé. Esta passagem veio a ser para mim uma porta para o céu”. Podemos mencionar, então, pelo menos três benefícios oriundos da justificação.

Na justificação nossos pecados são perdoados.
Na mesma epístola lemos: "Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus" (Romanos 8:1); podemos entender que, ao sermos justificados, recebemos o perdão para todos os nossos pecados. Isto não significa que deixamos de pecar ou que não devamos clamar por perdão em nossas orações a Deus. Pelo contrário, o conhecimento desta ação graciosa de Deus traz-nos conforto, pois como afirmou Louis Berkhof: “... a consciência do perdão, que é rapidamente obscurecida pelo pecado, é avivada e fortalecida outra vez pela confissão e pela oração, e pelo exercício renovado da fé”.
Em Provérbios 28:13 está escrito que "o que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia". Podemos, portanto, nos aproximar do grande trono branco sem o pavor que caracteriza os impenitentes e relutantes diante da ira e do castigo iminentes de Deus. Confessamos nossos pecados com alívio, pois o perdão nos foi concedido por meio da morte de Cristo e Deus é fiel e justo "para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça" (1 João 1:9). Em seu comentário sobre a primeira epístola de João, Stott escreveu que "ao perdoar os nossos pecados e purificar-nos deles, Deus manifestou lealdade à sua aliança - Sua fidelidade por causa da palavra que a iniciou e Sua justiça por causa do efeito que a ratificou. Mas simplesmente, Ele é fiel para perdoar porque prometeu fazê-lo, e justo porque Seu filho morreu por nossos pecados".

Na justificação somos adotados por Deus como filhos.
Neste santo processo recebemos todos os direitos de filiação. Conforme escreveu o evangelista: "Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus" (João 1:12,13) e também o apóstolo: "vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos. E, porque vós sois filhos, enviou Deus ao nosso coração o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai!" (Gálatas 4:4,5) - não somos feitos filhos de Deus apenas em virtude do novo nascimento, num sentido espiritual - mas também por adoção, e isto num sentido jurídico, isto é, no tribunal de Deus.
Mais do que hoje, o termo adoção, no primeiro século A.D., tinha um significado profundo; o filho adotivo era escolhido para perpetuar o nome de seu pai adotivo e herdar seus bens. Conforme F. F. Bruce, comentarista bíblico, a condição deste filho adotivo "não era nem um pouco inferior à de um filho segundo as leis comuns da natureza, e bem podia desfrutar da afeição paterna o mais completamente e reproduzir o mais dignamente a personalidade do pai". Em seu Dicionário Teológico o Pr. Claudionor Corrêa de Andrade escreve sobre adoção: "O vocábulo, no Novo Testamento, descreve o fato de Deus receber como filho alguém que, legal e espiritualmente, não goza do direito de tê-lo como Pai. A partir deste momento, passa esse alguém a desfrutar de todos os privilégios que Deus, desde a mais remota eternidade, preparou àqueles que aceitam a Cristo como o único e suficiente Salvador".
Na justificação recebemos o dom da vida eterna.
Intimamente ligado ao que já foi antes mencionado, o direito à vida eterna é dado àqueles que são adotados por Deus, tornando-se Seus herdeiros e co-herdeiros com Cristo, como Paulo escreveu: "Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo; se com ele sofremos, também com ele seremos glorificados" (Rm 8:17). É claro que além das bênçãos da salvação na presente vida, os filhos do Pai Celeste recebem o direito à “herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada no céu” para eles, conforme 1 Pedro 1:4.
Não é maravilhoso sabermos que, como co-herdeiros com Cristo, vamos herdar, pela graça de Deus, a mesma glória que por direito lhe pertence? Em uma de suas notas teológicas a Bíblia de Estudo de Genebra declara que a herança dos filhos e filhas de Deus é chamada salvação; o autor de Hebreus afirma que os anjos são "espíritos ministradores, enviados para serviço a favor dos que hão de herdar a salvação" (Hebreus 1:14).
Graças ao sacrifício vicário de Jesus podemos desfrutar do perdão de nossos pecados, da certeza de nossa salvação e da vida eterna na glória dos céus. O Espírito de Deus é uma marca, como a de um sinete de um rei, que distingue os que crêem dos que não crêem. Ele é como um sinal, uma entrada, uma parcela adiantada que serve de garantia do pagamento total que haverá de ser realizado! Deve promover conforto em nossos corações sabermos que temos uma garantia desta vida eterna no futuro com Cristo "em quem, também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa; o qual é o penhor da nossa herança, até ao resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória" (Efésios 1:13, 14).

Conclusão.
a Bíblia, “justificar” significa “declarar justo”, “inocentar”, “perdoar”. Muitas pessoas têm grande dificuldade em compreender o processo da justificação e seus benefícios espirituais muito provavelmente porque ele não suscita sentimentos que identifiquem uma transformação interior. Antes, exige a fé mais pura e simples de que o fato se deu nos céus.
O teólogo inglês J. I. Packer esclarece isto ao afirmar que: “A justificação é uma decisão jurídica conferida ao homem e não uma obra operada no interior do homem; é a dádiva divina de uma posição e de um relacionamento para com Deus e não de um coração novo. Não há dúvida que Deus regenera aqueles a quem justifica, mas essas são duas coisas distintas”.
Paulo afirmou que: “Justificados, mediante a fé, temos paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (Romanos 5:1). Portanto nós, compreendendo a doutrina da justificação, descansemos no Senhor e gozemos destes preciosos benefícios, convidando para que façam o mesmo aqueles que ainda buscam agradar a Deus com esforços próprios, comunicando-lhes que através da justificação - obra graciosa da parte de Deus - somos revestidos da Sua justiça e temos estabelecida uma união vital e espiritual com Jesus. Que assim seja, para a salvação dos perdidos, para a edificação do Corpo de Cristo e para a glória de Deus Pai. Amém.

Um comentário:

Wagner Marques disse...

“A justificação é uma decisão jurídica conferida ao homem e não uma obra operada no interior do homem; é a dádiva divina de uma posição e de um relacionamento para com Deus e não de um coração novo. Não há dúvida que Deus regenera aqueles a quem justifica, mas essas são duas coisas distintas”
.... O RENOVO VINDO DO SENHOR E UMA DAS COISAS MAIS MARAVILHOSAS NA QUAL O CRISTAO PODE SENTIR...
MUITO BOM O ESTUDO REV. OSLEI, QUE DEUS ATRAVES DAS SUAS INFINITAS MISERICORDIAS VENHAS ESTA DERRAMANDO ABUNDANTES CHUVAS DE BENCAOS SOBRE VC E SUA FAMILIA...

WAGNER