quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

PARA ENGRANDECER AO SENHOR

Disse então Maria: “A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito exulta em Deus meu Salvador; porque atentou na condição humilde de sua serva. Desde agora, pois, todas as gerações me chamarão bem-aventurada, porque o Poderoso me fez grandes coisas; e santo é o seu nome. E a sua misericórdia vai de geração em geração sobre os que o temem. Com o seu braço manifestou poder; dissipou os que eram soberbos nos pensamentos de seus corações; ele depôs dos tronos os poderosos, e elevou os humildes. Aos famintos encheu de bens, e vazios despediu os ricos. Auxiliou a Isabel, seu servo, lembrando-se de misericórdia (como falou a nossos pais) para com Abraão e a sua descendência para sempre” (Cântico entoado por Maria quando soube pelo anjo Gabriel que Deus a havia escolhido para ser a mãe do Salvador neste mundo, conforme o texto do Evangelho de Lucas 1:46-55, especialmente lido nas igrejas cristãos por ocasião das celebrações de Natal).
Há rumores de que o vidro tenha surgido há cerca de 4000 a.C., quando alguns navegadores fenícios acenderam fogueiras numa praia onde estavam ancorados. No solo estavam duas matérias-primas básicas, a areia e o calcário (das conchas marinhas), que se transformaram em vidro pela ação do calor. Os egípcios conheciam técnicas rudimentares de produção de vidro e começaram a soprá-lo e dar-lhe forma em cerca de 1400 a.C. Os romanos já tinham vidro no primeiro século, e até mesmo uma lente para aumentar a visibilidade da escrita. Este objeto era – e ainda é – chamado de lente, porque tinha – e até hoje tem! – a forma de uma lentilha, isto é, grossa no centro e fina nas bordas.
Há pelo menos dois motivos porque usamos lentes de aumento: Um, porque gostamos, quando vivemos nosso momento “Sherlock Holmes” – o famoso detetive, personagem de ficção criado pelo médico e escritor britânico Sir Arthur Conan Doyle no final do século dezenove, que utilizava, na resolução dos seus mistérios, o método científico e a lógica dedutiva; e outro, porque precisamos, quando sofremos nosso momento “Mr. Magoo” – aquele velhinho baixote, careca e com grave deficiência visual que se envolve em situações cômicas e perigosas devido à sua pouca visão!
Primeiro, quando crianças, nós nos divertimos com as lentes de aumento: Impressões digitais são descobertas, velhas fotos são examinadas e detalhes escondidos são revelados... Nós nos sentimos como Sherlock Holmes, especialmente na casa de nossos avós! Segundo, quando estamos com os olhos cansados do trabalho ou fracos devido à idade e não conseguimos ler as letras miúdas. Aí nós nos sentimos como Mr. Magoo (Por isso os editores cristãos publicaram as Bíblias em letras grandes).
Engrandecer significa magnificar, ampliar, aumentar, exaltar, exagerar e louvar, elogiar calorosamente. Mas a palavra magnificar é muito mais velha do que a lente de aumento. Ela vem de um tempo em que as pessoas costumavam falar de forma a exaltar e engrandecer a Deus. Exaltar e engrandecer a Deus significava – e deve significar para nós, hoje, também – falar das maravilhas e grandezas de Deus a todas as pessoas do mundo.
O cântico de Maria é chamado Magnificat devido à sua primeira palavra em latim e significa fazer grande, tornar maior, engrandecer (magnum facit anima mea). Algumas bíblias traduzem: “Minha alma proclama as grandezas de Deus”, mas uma outra tradução possível é: “Engrandece ao Senhor, ó minh’alma”. É como se Maria fosse uma lente de aumento diante de Deus que nos ajudasse a vê-lo melhor, a contemplá-lo mais perto e a admirá-lo na riqueza de seus detalhes.
Devemos entender que o próprio Deus nos escolheu para si mesmo, a fim de que o engrandeçamos, o aumentemos para que as outras pessoas possam identificá-lo, encontrá-lo e vê-lo melhor. Nós devemos ser as “lentes de aumento” que ajudam as pessoas ao nosso redor a ver os detalhes de Deus: Seu amor, sua alegria, sua misericórdia.
Engrandecemos a Deus diante das pessoas quando contamos, relatamos aquilo que ele tem feito, tanto mundo quanto em nossas próprias vidas. Exemplos são profusos em toda a Bíblia, mas especialmente no livro dos Salmos, onde podemos ler: “Não ocultei dentro do meu coração a tua justiça; apregoei a tua fidelidade e a tua salvação; não escondi da grande congregação a tua benignidade e a tua verdade” (40:10) e “Vinde, ouvi, todos vós que temeis a Deus, e vos contarei o que ele tem feito por minha alma” (66:16), ou ainda: “Na magnificência gloriosa da tua majestade e nas tuas obras maravilhosas meditarei; falar-se-á do poder dos teus feitos tremendos, e eu contarei a tua grandeza” (145:5-6).
Engrandecemos também a Deus diante das pessoas quando cantamos hinos de louvor que destacam suas incomparáveis qualidades. Como está em Salmos: “Eu, porém, cantarei a tua força; pela manhã louvarei com alegria a tua benignidade, porquanto tens sido para mim uma fortaleza, e refúgio no dia da minha angústia. A ti, ó força minha, cantarei louvores; porque Deus é a minha fortaleza, é o Deus que me mostra benignidade” (59:16-17). O rei Davi compôs um hino de convocação: “Engrandeci ao Senhor comigo, e juntos exaltemos o seu nome” (34:3).
Engrandecemos a Deus também quando procedemos retamente perante as pessoas com quem mantemos relacionamentos. Na verdade, nós nos tornamos lentes de aumento muito mais potentes quando nossas palavras são corroboradas por nossas ações. Assim como o telescópio espacial Hubble permitiu, não apenas aos astrônomos, mas à humanidade, observar as estrelas além da nossa própria galáxia e estudar estruturas do universo até então desconhecidas, pessoas vêem Deus ainda mais claramente quando há perfeita combinação entre nosso discurso e nossa prática. Por isso Francisco de Assis declarou: “Evangelize sempre, se necessário for, use palavras”.
Exemplo elucidativo desta situação nós encontramos no livro dos Atos dos Apóstolos, quando Paulo e os missionários que com ele estavam foram injustamente lançados na prisão da cidade macedônica de Filipos. Durante a noite, eles “oravam e cantavam hinos a Deus enquanto os presos os escutavam” (16:25). Somado à manifestação do poder de Deus naquele lugar – o terremoto, e aliado à pregação direta do evangelho, o reto procedimento dos servos do Senhor, que não fugiram quando lhes poderia parecer oportuno, contribuiu para que o carcereiro viesse a receber Jesus Cristo como Senhor e Salvador de sua vida.
Que Deus nos abençoe, portanto, para que sejamos lentes que o aumentem diante das pessoas. Que sejamos telescópios que permitam às pessoas contemplar Deus mas de perto, onde ele realmente está e como ele realmente é. Que façamos isso com palavras e músicas que comuniquem seu amor por todas as pessoas, mas com toda a nossa vida, também.

EU TAMBÉM SOU OVELHA...


A maioria das igrejas evangélicas do Brasil celebra o Dia do Pastor em 10 de junho, mas a Igreja Presbiteriana do Brasil comemora o Dia do Pastor Presbiteriano em 17 de dezembro. Esta data foi estabelecida em função da ordenação do primeiro ministro presbiteriano brasileiro, Rev. José Manuel da Conceição, em 17 de dezembro de 1865.
Assim como outros candidatos ao Sagrado Ministério da Palavra de Deus, eu mesmo fui ordenado por um Presbitério e, assim, me tornei um pastor dessa denominação. Mas, antes de ser um pastor, eu fui e continuo sendo uma ovelha do Senhor. Convido você a refletir sobre esta verdade, de que mesmo os pastores ainda são ovelhas...
Em certa ocasião, Jesus Cristo afirmou ser o bom pastor, conhecido por suas ovelhas, que dá a vida por elas (Jo 10:14s). Um sentimento caloroso tomou conta de meu ser quando pensei nisso. Crianças, adolescentes, jovens e adultos, homens e mulheres, membros comuns de igrejas, líderes de ministérios ou não; diáconos, presbíteros, missionários, seminaristas ou pastores, todos somos ovelhas do Senhor.
Como é bom saber que eu também sou ovelha do rebanho do Supremo Pastor! Lembro-me da parábola do homem que tinha cem ovelhas e, ao perder uma, deixou as outras e saiu à procura da desgarrada, até achá-la (Lc 15:3-7). Ele a encontrou arranhada por espinhos e ferida pelas rochas. Ele aplicou bálsamo em seus machucados e a carregou nos braços de volta ao aprisco seguro e aquecido. Boyer, comentarista bíblico, escreveu: “Grande é a compaixão deste Pastor! Nenhuma palavra de repreensão, nem de censura! Que momento de gozo para o Salvador e para a ovelha”.
Isto é maravilhoso: saber que todas as vezes que me encontro ferido, confuso e aflito por causa das intempéries da vida ou devido aos problemas causados por minhas atitudes inconseqüentes, o pastor de minha alma sai à busca para salvar-me e tratar-me! É o cuidado amoroso de Jesus que me dá ânimo e forças para continuar esta caminhada em direção à glória, apesar de todas as minhas fraquezas.
Você tem se sentido assim, como eu? Uma ovelha enfraquecida, carente de cuidados? Lembre-se: somos ovelhas do bom pastor, que ouve o nosso balido de dor à distância e corre para livrar-nos, não importa o espinheiro em que nos metemos. Mesmo que o rebanho tenha nos abandonado, ele sempre volta para buscar-nos. Pense assim, portanto: como é bom ser ovelha de Jesus, o bom pastor!