sábado, 31 de outubro de 2009

A VIDA NÃO É SÓ TRABALHAR!


A vida não é só trabalhar, óbvio que não. Acontece que a maneira tradicional de "aproveitar" o tempo em família mudou. "Antigamente", chegava o final de semana e lá íamos nós com a família para um almoço especial na casa da vovó! Muitos, ainda conseguem essa proeza nos dias atuais, mas a grande maioria dos executivos, não!!

Você percebeu que quando você se torna um finalista em um processo de seleção, ou mesmo quando recebe um convite direto, na hora de negociar a remuneração, sempre o que chama a atenção são os benefícios? Benefícios?

Além do salário, que é ótimo tê-lo, você recebe a promessa de que terá com todas as despesas pagas, um lindo celular, um nextel, um Black isso ou um Black aquilo, outro celular corporativo, um moderno laptop com webcam, wireless, pen drive, mobile internet, baterias extras, cartão corporativo, reembolso de quilometragem, etc.? Um verdadeiro arsenal de "guerra" para desempenhar o seu papel de acordo com o script do "Board".

E como a demanda por executivos está em baixa, a ordem é caprichar, e aproveitar os sábados e domingos para turbinar os relatórios, planos de viagens, agenda, roteiros, apresentações, orçamento pessoal, recarregar a bateria "do celular", e outras coisa importantes e necessárias para a "batalha" da próxima semana, e garantir o "leite das crianças".

Você ia dar uma voltinha com seu filho mas como está chovendo, teve uma idéia bacana, foi até o Shopping mais próximo e o deixou brincando no "parquinho" para ele se divertir um pouco, não é mesmo. Enquanto isso você vai até a praça de alimentação ler alguns e-mails. Como tem que responder muitos e-mails e o final de semana será "curto", deixa o menino no parquinho mais uma hora, ele vai se divertir...e por aí vai. Chega o domingo à noite, hora de arrumar a mala e o arsenal, afinal de contas amanhã, segunda-feira tudo começa de novo. São 6hs da manhã de segunda, e você já está pronto, ou pronta, vale para as queridas mamães também, e bola prá frente, rumo a novos e desconhecidos desafios que a semana lhe reserva.

Na segunda-feira à noite, num lampejo de solidariedade, emoção, saudade (afinal você está se sentindo tão só), abre uma janela na sua agenda e liga para o filho, que do outro lado com voz embargada e tímida sussura, "papai, estou com saudade de você", e você retruca com delicadeza e maestria digna de um executivo, mas filho, ontem eu levei você no shopping, no parquinho, na sorveteria, na banca de revistas, no cinema, no banheiro, você ainda passou a tarde toda na casa da tua vó? Isso tudo não foi suficiente para você meu filho? E do outro lado, o frágil "adversário", inexperiente, sábio, observador, com voz calma e educada te responde: "fiquei feliz sim papai com tudo isso, mas estou com saudades DE VOCÊ!"

Se a vida não é só trabalhar, então a vida é o que?



Aristides Girardi

Headhunter e Personal Coach

Membro da Igreja Presbiteriana

Curitiba - PR

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

A DOUTRINA DA JUSTIFICAÇÃO

“Na verdade sei que assim é; porque como se justificaria o homem para com Deus?” (Jó 9:2); “Justificados, pois, pela fé temos a paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (Romanos 5:1). A doutrina da justificação é uma das mais importantes dentro do sistema doutrinário reformado.
No dia 10 de julho de 2009 comemoramos os 500 anos do nascimento de João Calvino, reformador mais influente para a formação do Presbiterianismo e do sistema doutrinário reformado. E, ainda que João Calvino tivesse convicções praticamente idênticas às de Martinho Lutero, o reformador alemão brigou muito mais por causa delas. Ainda que eu discorde, alguns teólogos colocam a doutrina da justificação pela fé como a causa maior da Reforma Protestante do século dezesseis.
Mas o que é essa tal justificação? Quando apresentamos uma justificativa para a nossa falta, dizemos que estamos justificados, certo? A compreensão teológica e espiritual da doutrina da Justificação é praticamente a mesma. Justificação é o “ato livre da graça de Deus pelo qual Ele perdoa aos nossos pecados e nos aceita como justos aos Seus olhos“ (BERKHOF, p. 473), mediante a justiça de Cristo.
Isso quer dizer que Jesus cumpriu cabal, eterna e eficazmente todas as exigências da Lei de Deus (ou do pacto das obras) e aplicou esse cumprimento àqueles a quem Deus concedeu fé. Isso posto, o apóstolo Paulo afirma que nós, justificados, temos paz com Deus por intermédio de Jesus Cristo. Mas por que Paulo afirma que temos paz com Deus?
O redimido é justificado gratuitamente pela fé que recebe de Deus.
Temos paz com Deus porque o homem que crê, crê por que Deus lhe concedeu esse dom. Jó pergunta: “Como pode o homem ser achado justo para com Deus?”. Como pode aquele que é absolutamente inferior a Deus ser encontrado justo diante dAquele que possui toda a justiça? Como pode aquele que está totalmente depravado, corrompido pelo pecado ser encontrado justo diante de um Deus Santo e Irrepreensível em bondade.
A pergunta de Jó é a resposta! O homem não pode, por seus atos ou vontade, ser achado justo diante de Deus. Por isso, podemos afirmar que temos paz com Deus porque o redimido recebe gratuitamente de Deus a fé que o habilita a crer no sacrifício justificador de Cristo.
O redimido descansa unicamente em Cristo para a salvação.
Jó fala que nada do que o homem faça pode contar para a sua justificação. Por isso, dependemos única e eficazmente do sacrifício e ressurreição de Cristo para nossa salvação. E graças a Deus por isso! Sabe por quê? Porque se dependêssemos de nós, nem que fosse em 1% para nos justificarmos, estaríamos perdidos. Mas nós descansamos em Cristo e dependemos apenas dEle para sermos encontrados como justos diante de Deus.
Nós somos falhos e, por isso, inábeis para nos justificarmos diante do Pai. Mas nós dependemos dAquele que é perfeito e que, através da sua vida, morte e ressurreição, justifica o ímpio. Jesus assumiu a nossa imperfeição na cruz para que pudéssemos assumir sua perfeição diante de Deus. Por isso, temos paz com Deus por descansarmos unicamente em Cristo para a salvação.

O redimido desfruta de todas as bênçãos adquiridas na justificação.
A primeira benção é que agora, por causa da justiça perfeita de Cristo, somos recebidos como filhos de Deus e podemos desfrutar de todas as bênçãos que Cristo conquistou por nós. Isso nos garante, agora, como justificados, a vida eterna junto do Pai. Uma vida eterna que não passa a existir apenas a partir do momento em que morremos. Mas uma vida eterna que é desfrutada aqui e a partir daqui. Vida maravilhosa e cheia no tempo presente. Uma vida em abundância em que podemos desfrutar da plenitude da existência em Cristo.
Mas não devemos nos enganar: Ninguém entrará no céu em pecado. Por isso, Jesus removeu a culpa do pecado daquele que crê. O homem não pode ser apresentado diante de Deus na vida eterna com a marca do pecado em sua vida. Então, Deus enxerga aquele que crê através da justiça de Cristo. Por isso, podemos afirmar que temos paz eterna com Deus, porque podemos desfrutar das bênçãos que Jesus adquiriu e nos legou.
Rev. Thiago Mattos de Lara
Igreja Presbiteriana do Tarumã
Curitiba - PR

O LEGADO DA REFORMA PROTESTANTE

No próximo sábado, milhões de cristãos ao redor do mundo louvarão a Deus pelos 492 anos da deflagração da Reforma Protestante. Foi no dia 31 de outubro de 1517 que o monge agostiniano Martinho Lutero afixou, nos portões da catedral de Wittenberg, Alemanha, suas famosas noventa e cinco teses, discordando dos procedimentos da Igreja Medieval, a qual considerava herética.

Sua intenção, a princípio, foi convocar a comunidade acadêmica da universidade em que era professor para um debate, mas nem o próprio Lutero poderia prever as conseqüências de seus atos: Suas idéias foram amplamente divulgadas e despertaram a contrariedade e a oposição do clero, culminando na sua excomunhão e impiedosa perseguição.

Apesar de todos os esforços contrários, o movimento angariou a simpatia de muitos e recrutou defensores para sua causa. Os ideais protestantes se espalharam pelo Europa e chegaram aos demais continentes. Nós, presbiterianos brasileiros, filhos legítimos do movimento reformado de Guilherme Farel, João Calvino, Teodoro Beza e João Knox, não deixamos de ser herdeiros da Reforma Alemã e, até os dias hodiernos, desfrutamos seu valioso legado.

Entre os inúmeros e duradouros benefícios espirituais promovidos pela Reforma, contamos: O acesso irrestrito à Bíblia Sagrada, a simplificação do culto, o retorno ao modelo da igreja do Novo Testamento, o sacerdócio universal dos crentes, a afirmação de Cristo como o único mediador entre Deus e pecadores e a salvação pela graça, não por obras ou méritos humanos.

Mesmo os cristãos que não conhecem os detalhes da história e da teologia da Reforma Protestante são inevitavelmente influenciados por ela em seus pensamentos e práticas, através de seus cinco princípios básicos: sola gratia (Só a graça), sola fide (Só a fé), sola Scriptura (Só a Escritura), solus Christus (Só Cristo) e soli Deo gloria (Glória somente a Deus).

terça-feira, 27 de outubro de 2009

A FÉ CONTAMINADA

Uma história provável.
Permita-me iniciar contando uma história que, se não é verídica, poderia ser. Solicitaram a um certo pastor que visitasse uma senhora, membro de sua igreja já há alguns anos, cuja família estava enfrentando problemas de ordem espiritual - como opressão e coisas assim. Ao chegar na residência daquela mulher, qual não foi a surpresa do pastor! Atrás da porta havia um vaso com a famosa planta “comigo-ninguém-pode”. Sobre a mesa de centro na sala havia uma estatueta em gesso de Buda, com algumas moedas embaixo. E na estante um pouco além, alguns livros de Allan Kardec e outros psicografados pelo conhecido médium mineiro Chico Xavier.
Aquela senhora, que há tanto tempo atrás havia confessado a fé cristã e recebido o batismo em nome da Santíssima Trindade numa igreja evangélica, explicou com naturalidade ao pasmado pastor, que a planta atrás da porta servia para espantar o “mau-olhado” ou “olho-gordo” dos vizinhos e visitantes. A imagem sobre a mesinha fora colocada ali com o objetivo de ajudar na solução dos problemas financeiros atraindo prosperidade material. E ela adquiriu alguma literatura espírita porque alguém havia lhe dito que isso ajudaria na compreensão das doutrinas bíblicas.
Este breve relato pode parecer cômico a princípio, mas, na verdade, não é! Esta história pode não ser verdadeira, mas é muito provável que aconteçam fatos muito semelhantes aos nela descritos nas casas dos crentes por aí a fora. Ela nos desperta para uma realidade preocupante: que muitos cristãos - bem intencionados, até! - talvez, por falta de conhecimento bíblico e discernimento espiritual, se envolvem com ensinos e práticas contrários à Palavra de Deus e aos princípios cristãos, trazendo sobre suas vidas e famílias tremendos prejuízos espirituais, emocionais e morais.
O que se observa, portanto, é o que classifico como contaminação da fé. Acontece quando alguém crê em Jesus Cristo como Senhor e Salvador de sua vida, mas não consegue depositar toda sua confiança unicamente nele. É um procedimento lamentável, sobre o qual a Bíblia exorta, e que deve ser evitado, tais as conseqüências que acarreta.

O que é contaminação?
Você sabe o significado da palavra contaminação? É o ato ou efeito de contaminar-se! No dicionário encontram-se as seguintes definições para “contaminar”: Contagiar, provocar infecção, corromper ou viciar. Ou, como qualquer um de nós poderia responder, contaminação é impureza. Creio então que, assim como um manancial de águas pode estar contaminado com impurezas (poluição e sujeira), que compromete suas propriedades e finalidades, a fé também pode ser contaminada.
No Antigo Testamento, Deus ordenou aos israelitas que não se permitissem influenciar pelos costumes dos povos: “Com nenhuma destas coisas vos contaminareis, porque com todas estas coisas se contaminaram as nações que eu lanço de diante de vós... Portanto, guardareis a obrigação que tendes para comigo, não praticando nenhum dos costumes abomináveis que se praticaram antes de vós, e não vos contaminareis com eles. Eu sou o SENHOR, vosso Deus”. E mais: “Não vos voltareis para os adivinhos, nem para os necromantes, não os procureis para serdes contaminados por eles” (Levítico 18:24,30; 19:31). Conforme podemos observar, Deus considera as práticas ocultistas e esotéricas como contaminação, as quais seu povo deve evitar.
Em o Novo Testamento, quando Jesus afirma que “nada há fora do homem que, entrando nele, o possa contaminar; mas o que sai do homem é o que contamina” (Marcos 7:15), ele não está negando as recomendações de Levítico; mas criticando o legalismo judaico, ou seja, a tendência de reduzir a fé aos aspectos puramente materiais e formais das observâncias, práticas e obrigações religiosas. Conforme nota da Bíblia de Estudo de Genebra, o Mestre “está fazendo uma generalização a respeito do modo constante e natural pelo qual se expressa a natureza humana decaída e... visa trazer ao homem autoconhecimento da sua própria imundície interior”.
Alguém já disse: “A família forma, a escola informa, a sociedade deforma, a religião reforma, mas só Cristo transforma”! O escritor Orlando Boyer comenta que, para alguns, as leis determinam quase tudo na vida; para outros, é a educação que vai mudar a natureza humana. Mas ele afirma: “Sem a regeneração do coração, muito pouco, ou nada, valem a legislação e a educação”!

O cristão e o horóscopo.
Podemos compreender o valor e a necessidade da regeneração uti supra, nesse processo, quando lemos o capítulo dezenove do livro de Atos. Transformados pelo “lavar regenerador do Espírito” (Tito 3:5), os ex-adeptos da magia em Éfeso creram em Jesus e queimaram seus livros de encantamentos. Alcançados pela graça de Deus foram salvos, declararam rompimento oficial e público com seu passado de ocultismo e eliminaram quaisquer riscos de contaminação. Escreveu o puritano John Gill: “Eles queimaram seus antigos livros de mágica para mostrar o quanto agora os detestavam. Também, para mostrar a genuinidade de seu arrependimento pelos pecados cometidos nessa área, para evitar que esses livros não se tornassem uma armadilha para eles no futuro e para que não fossem usados por outros”.
Nestes dias em que vivemos, de subjetivismo ideológico e pluralismo religioso, Bíblias são exibidas nas vitrines dos shoppings cercadas por cartas de tarot, tábuas de ouija, cristais e livros escritos por gurus ou psicografados por médiuns; também a pregação de um evangelho fácil, carente de profundidade doutrinária, contribui para que pessoas recebam a Cristo em suas vidas, mas não inteiramente (se é que isso seja possível!). É aquilo que Dietrich Bonhoeffer chama de graça barata: “a pregação do perdão sem exigir arrependimento, batismo sem disciplina na igreja, absolvição sem confissão pessoal”. Pode parecer incrível, mas uma pesquisa realizada nos Estados Unidos revela que 11% dos crentes americanos consultam horóscopos e acreditam em astrologia. Qual seria a porcentagem se pesquisa semelhante fosse realizada no Brasil?
Concluo, portanto, convidando o leitor: se ainda não recebeu Jesus Cristo como Senhor e Salvador de sua vida, que aproveite esta oportunidade dada por Deus e o faça. A Bíblia declara que se cremos no Senhor Jesus, somos salvos e nos tornamos filhos de Deus (Atos 16:31a e João 1:12). Ao leitor que já é cristão, mas ainda repousa parte de sua esperança em amuletos, talismãs, simpatias, rezas e imprecações, tais como: sal grosso, rosa ungida, água fluidificada, fitas e pulseiras, pés-de-coelho, ferraduras, etc., que abandone essas práticas, pois, à luz da Palavra de Deus - e são muitíssimos os versículos que eu poderia citar, entendemos serem inúteis todas elas.
O apóstolo Paulo declarou que Deus “é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós” (Efésios 3:20). E o próprio Deus falou, por meio do profeta: “... antes de mim nenhum deus se formou, e depois de mim, nenhum outro haverá. Eu, eu sou o Senhor, e fora de mim não há salvador... Ainda antes que houvesse dia, eu era; e nenhum há que possa livrar alguém das minhas mãos; agindo eu, quem o impedirá?” (Isaías 43:10a-13).