quarta-feira, 25 de novembro de 2009

A PEDAGOGIA DO EXEMPLO

Influenciamos de forma positiva ou negativa?
Na edição de 05 de novembro de 2003, a revista IstoÉ abordou, em reportagem de capa, os benefícios e malefícios provocados pela ingestão de cerveja no organismo humano. Detalhes técnicos à parte, uma das informações mais interessantes e alarmantes do referido artigo se referia ao crescente número de jovens que têm passado a consumir a bebida cada vez mais precocemente, ainda na pré-adolescência.
Numa pesquisa dirigida a crianças e adolescentes entre oito e dezessete anos, sobre quem exerceu maior influência em sua decisão de beber ou não, a maioria esmagadora (73%) respondeu que foram os seus próprios pais! Tomar um ou dois copos durante um churrasco ou almoço familiar, mesmo com o consentimento dos pais, pode ser perigoso.
A permissão dos pais, ainda que legítima, não protege os filhos dos riscos que envolvem certas práticas. Até que ponto a anuência coopera para a educação? Na opinião da psicóloga Rosely Sayão, diretora de conteúdo da revista Crescer, "educar é ensinar a reconhecer o perigo".
O exemplo como método pedagógico.
Quando compreendemos que, ao exercer influência – positiva ou não – na educação de uma criança, nos tornamos seus "mentores", somos desafiados a refletir sobre a força do nosso exemplo em sua vida. O processo da educação corre sérios riscos de fracasso na mesma proporção em que o "mentor" dissocia a sua prática de seu discurso.
A pedagogia do exemplo pode ser como um conjunto de princípios e métodos de educação e instrução que tem como objetivo a vida prática, o dia-a-dia. O pedagogo ensina através de tudo que pode ou deve ser imitado. Ensinar através do exemplo é a melhor maneira de influenciar as pessoas e inculcar fortemente os princípios ensinados.
Assim pensava Albert Schweitzer (1882-1936), missionário, escritor e teólogo alemão que foi também um dos maiores filantropos do século vinte e atuou também como médico e músico. Numa de suas mais célebres frases, ele disse: "O exemplo não é a principal coisa na vida: é a única". A pedagogia do exemplo só existe quando há correspondência entre o que mostramos e o que somos.
O exemplo destacado nas Escrituras.
Na Bíblia Sagrada são citadas pessoas cujas atitudes nos servem como exemplo. O apóstolo Paulo escreveu que determinados acontecimentos sobrevieram aos israelitas para que servissem de exemplo e advertência aos cristãos: "Pois não quero, irmãos, que ignoreis que nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem, e todos passaram pelo mar; e, na nuvem e no mar, todos foram batizados em Moisés, e todos comeram do mesmo alimento espiritual; e beberam todos da mesma bebida espiritual, porque bebiam da pedra espiritual que os acompanhava; e a pedra era Cristo. Mas Deus não se agradou da maior parte deles; pelo que foram prostrados no deserto. Ora, estas coisas nos foram feitas para exemplo, a fim de que não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram (...) Ora, tudo isto lhes acontecia como exemplo, e foi escrito para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos" (1 Coríntios 10:1-6, 11).
Em outra carta, recomendou aos seus destinatários que observassem o exemplo de vida que ele mesmo lhes dava: "Irmãos, sede meus imitadores, e atentai para aqueles que andam conforme o exemplo que tendes em nós" (Filipenses 3:17). Ao seu jovem discípulo Timóteo, que pastoreava a igreja em Éfeso, Paulo aconselhou que estabelecesse sua autoridade através de um comportamento sem incoerências: "Seja um exemplo na maneira de falar, na maneira de agir, no amor, na fé a na pureza" (1 Timóteo 4:12, Tradução Nova Linguagem de Hoje).
O Senhor Jesus, nosso exemplo máximo, jamais exigiu de alguém algo que ele mesmo não tivesse feito antes. Entre as muitas situações que poderíamos mencionar, há aquela, quando quis ensinar a humildade. Lavou e enxugou os pés de seus discípulos e disse: "Pois eu dei o exemplo para que vocês façam o que eu fiz" (João 13:15, Nova Versão Internacional).
Sim, podemos servir de exemplo!
Numa pesquisa realizada entre cristãos, lhes foi perguntado o que mais esperavam de seus líderes. A resposta mais freqüente foi integridade, qualidade que podemos entender como inteireza moral, retidão. Na sociedade em que vivemos, na qual os valores têm se tornado relativos, fazem-se necessários homens e mulheres "inteiros".
É natural esperarmos que o exemplo venha do mais forte para o mais fraco, do mais alto para o mais baixo, do maior para o menor; em outras palavras: do pai para o filho, do professor para o aluno, do patrão para o empregado, do chefe para o subordinado, do governante para o governado e, certamente, do pastor para o membro da igreja!
Sermos íntegros não significa sermos perfeitos, mas honestos conosco mesmos e com os outros. Isso revela nossa integridade a quem desejamos educar. Como cristãos, devemos observar tais questões a partir de um prisma espiritual. O cultivo da disciplina, o conhecimento bíblico, o hábito da oração, a submissão ao Espírito Santo e a dependência de Deus nos capacitam a sermos exemplo para outras pessoas.