quarta-feira, 16 de junho de 2010

TODO PASTOR DEVERIA LER ISTO!

Timóteo [o filho na fé do apóstolo Paulo] assumiu uma congregação problemática, com a incumbência de consertar o que estava errado nela. Recebeu como herança tanto o legado de Paulo quanto os problemas causados por outros (entre os quais estavam Himeneu e Alexandre). A vocação pastoral não começa com uma folha em branco semelhante ao tohu wabohu [sem forma e vazia] de Gênesis 1:2.

Uma congregação problemática representa um grande perigo no sentido de nos convencer de que somos [os pastores] necessários. Outros fizeram a confusão, agiram mal, foram responsáveis e nós somos chamados para consertar tudo. O simples fato de sermos chamados deve significar que somos competentes e capazes, pelo menos se comparados à incompetência dos outros.

É claro que ficamos lisonjeados. Alguém reparou em nós. E nos dizem: “Precisamos de você! Tire-nos dessa situação. Lemos o seu currículo, conversamos com pessoas que deram boas referências sobre você, ouvimos seus sermões – resgate-nos”!

E com essas palavras – precisamos de você... resgaste-nos... – tornamo-nos pastores necessários. O fim disso é ficarmos presos à agenda estabelecida para nós, escravizados às condições nas quais penetramos. As dimensões de nosso mundo mudam. Deixam a grande e enorme salvação de Deus e entram nas condições limitadas das necessidades alheias que, em face da combinação de pecado e incompetência, não foram atendidas.

Há, em tudo isso, um aspecto neurótico. É como alguém que, pego em uma enchente, agarra-se a um galho para salvar sua vida tão preciosa. Passam-se vários dias antes que a água baixe completamente. Durante esse período, a pessoa está agarrada ao galho – salva, resgatada, viva. Por fim, a enchente acaba e a pobre alma continua agarrada ao galho. Muito passam por ela e dizem: “Vamos, solte isso”! Mas ela responde: “De jeito nenhum. Estou salva. Foi nesse galho que encontrei minha salvação. Foi ele que me salvou. Não vou deixar este lugar seguro”.

Houve uma tentativa bem-sucedida de salvar a vida, mas no momento certo a pessoa não soube deixar de lado o que já não servia mais. Os pastores fazem isso com muita freqüência. Chegam e encontram muitos problemas, acertam a situação, e depois continuam com as mesmas condições, ano após ano. “Foi assim que eu me salvei e salvei os outros...”

Esse modo de vida aceita as condições do pecado como sendo as condições dentro das quais iremos [os pastores] trabalhar. É claro que sempre trabalhamos na presença do pecado, mas ele não define o nosso mundo. O pecado, simplesmente, fornece o material para o nosso mundo, para nosso Evangelho. Os problemas e as necessidades das congregações não impedem nossos movimentos. Não impediram os de Timóteo.


Rev. Eugene H. Peterson
em “O Pastor Desnecessário”

Um comentário:

mirian disse...

Pastor...hoje em dia onde existe uma congregação não problematica?
Tenho convicção que temos que orar e clamar a Jesus que ajude os pastores inclusivel para não se contaminarem....
Fique na Paz de Jesus guardado em Deus com o Espírito Santo consuzindo seus passos.
Mirian